Uma pesquisa publicada ano passado na revista Nature traz um pouco sobre um cenário polêmico e ainda pouco explorado que permeia a genética, a medicina e o comportamento humano. Como as pessoas se comportam – fisicamente e psicologicamente – quando passam a saber informações sobre os genes que carregam?

Cento e dezesseis pessoas participaram da pesquisa que envolveu basicamente 4 etapas. Na primeira, os participantes foram submetidos a um teste de esteira (imagem 1), no qual seus desempenhos foram marcados; depois, foi feito o sequenciamento genético do gene CREB1 (relacionado ao desempenho físico em exercícios aeróbicos) de cada participante; na terceira etapa cada um recebeu a informação aleatória de que possuía um ou outro alelo* do gene CREB1 (o que se relaciona ao bom resultado ou o que se relaciona ao mau resultado em exercícios físicos), independentemente do resultado real do sequenciamento do seu DNA. Por fim, após terem recebido a informação aleatória, os participantes participaram novamente de um segundo teste de esteira, tendo seus resultados comparados com o teste inicial.

Imagem 1: teste de esteira (fonte: https://telemedicinamorsch.com.br/blog/teste-ergometrico-ou-teste-de-esforco)

 

Os pesquisadores perceberam que – independentemente do alelo de CREB1 que os participantes realmente possuíam – aqueles que receberam a informação de que possuíam o alelo relacionado ao baixo desempenho aeróbico, se sentiram mais cansados, inclusive com reflexos fisiológicos na capacidade cardiovascular, tendo um resultado consideravelmente pior que no primeiro teste. Ou seja, a expectativa – relacionada apenas à informação que lhes foi dada – moldou o desempenho do participante, independentemente de qual gene ele realmente possuía.

Por que será que isso ocorreu? Como esse tipo de informação molda nosso comportamento? Essas e outras respostas você acompanha nos nossos textos das próximas semanas!

Por Equipe Ciência Informativa

 

Para saber mais

*alelos: são as variações, formas alternativas dos nossos genes e que impactam uma característica. Os alelos A e a regulam a pigmentação da pele na espécie humana, portanto, podemos dizer que o gene que controla a pigmentação da pele pode se apresentar na forma A (alelo A) ou a (alelo a).

 

Referências

[1] Turnwald et al. (2018). Learning one’s genetic risk changes physiology independent of actual genetic risk. Nature Human Behaviour . doi:10.1038/s41562-018-0483-4

[2] Kayser, J. (2018). Just thinking you have poor endurance genes changes your body. Acessado de https://www.sciencemag.org/news/2018/12/just-thinking-you-have-poor-endurance-genes-changes-your-body em dezembro de 2018

[3] Imagem em destaque: ISTOCK.COM/BLACKJACK3D

 

One Reply to “Sequenciamento do genoma humano: qual é o impacto físico e psicológico de você saber sobre seus próprios genes?”

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