Olá! 

Meu nome é Patricia Sujii e esse é o “Quem nunca? – histórias que a gente vive, mas os artigos não contam”, uma série de crônicas do Ciência Informativa.

A ideia desse podcast é mostrar as pessoas que fazem e que vivem a ciência, sejam elas cientistas ou não. Porquê por trás de cada descoberta científica e de cada carreira acadêmica existem muitas experiências humanas. 

Já ouvimos a história em que a ciência uniu a Bianca e o Lucas! No episódio desta semana, a Kaoru e o Lira contam pra gente como a vida acadêmica os uniu e separou e uniu de novo e separou de novo,… Os dois são doutores, pesquisadores e professores universitários na UnB e se um dia você tiver a oportunidade de conversar com eles, aproveite que sempre tem um bom causo com situações inusitadas. Relacionamento à distância pra eles é um velho conhecido, quase parte da família e isso nunca impediu de serem um casal fofo, cheio de carinho e respeito.

A final, quem nunca teve um relacionamento à distância?

[As falas do Lira estão em negrito e as da Kaoru estão sublinhadas]

Meu nome é Marcus Tanaka de Lira, professor do departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasilia. Meu nome é Kaoru Tanaka de Lira, professora do departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasilia. E essa é a história, não só de a gente acabou namorando colegas de trabalho. Nós dois damos aula no mesmo curso de letras japonês da UnB. Como também de como a gente namorou à distância não só uma ou duas vezes, mas atualmente, a gente tá na nossa terceira temporada do nosso casamento remoto. Aliás, dos nossos quase 19 anos juntos, uns 4 anos têm sido na modalidade EaD ou esposo à distância no nosso caso. A gente já tava na frente do nosso tempo, olha só! Inclusive, desde o início a questão da distância sempre teve presente no nosso relacionamento. 

A gente se conheceu quando eu tava no primeiro semestre do curso de Letras Japonês da UnB e a Kaoru tinha acabado de voltar do curso de um ano de intercâmbio no Japão. Enquanto isso, o Lira tava esperando a resposta do governo do Japão, porque ele tinha passado na prova pra fazer a graduação lá. Pra gente, ele já tava praticamente com a passagem carimbada, só precisando saber quando ele ia, quando ia ser o dia do embarque. Aliás, a gente sempre teve uma dinâmica muito curiosa, porque apesar dos dois terem feito caminhos diferentes, os dois escolheram a mesma carreira já desde o início. Os dois queriam ser professores universitários. Mas é… sempre tinha a possibilidade de um dos dois ir pro Japão ou pra outro lugar. Como a gente fazia o mesmo curso, o desafio era que os dois conseguissem oportunidade ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Era! Desde sempre esse espectro rondava o nosso relacionamento, o espectro do relacionamento à distância. Então, todas as forças à nossa volta se aliaram numa sagrada perseguição a esse espectro e por um tempo até que no começo funcionou, porque acabou que no ano que a gente se conheceu não teve a vaga pra mim no Japão, mesmo eu tendo passado na prova, e das outras vezes em que eu passei em outras seleções também acabou que sempre acontecia alguma coisa e eu ficava no Brasil. Aí, por fim, ficaram os dois juntos em Brasília por 6 ou 7 anos. Foi! E a gente trabalhou pela primeira vez juntos nesse período como professores substitutos no curso de Letras Japonês da UnB. Até que um dia acabou o período do meu contrato e eu fui fazer o mestrado no Japão. 

Kaoru e Lira no Japão, tirando fotos chamadas de purikura, muito famosas por lá.

E nisso, a gente decidiu noivar antes dela ir. Eu cheguei a cogitar em ir junto, mas eu preferi foca no mestrado em Línguas Indígenas aqui enquanto eu tava como professor substituto. Nisso, a nossa ideia foi a seguinte: se a gente conseguisse passar dois anos e meio longe, mas comprometidos, então essa ia ser a maior prova de que era uma boa a gente juntar as escovas de dente e de fazer festa pra oficializar logo, né, assim que ela voltasse. Não que a gente a gente tenha ficado sem se ver durante esse tempo. É, a gente praticamente se falava a cada 12h, sempre que um acordava, ligava pro outro via Skype ou o que fosse. E aí, a Kaoru veio visitar uma vez e eu fui lá visitar outras duas vezes. E aí em março de 2011 teve aquele terremoto/tsunami/acidente nuclear/a nossa volta pro Brasil. Spoiler! A gente conseguiu se casas e passar ao menos 6 meses no mesmo lugar. Foi! E a gente começou a morar junto assim que ela voltou às terras tupiniquins. A gente passou mais 3 anos juntos e foi nesse intervalo que a gente se oficializou perante o governo, caso a receita federal ainda duvidasse das nossas intenções. E já casados, a Kaoru decidiu ir pra Manaus. Foi quando eu comecei a trabalhar na UFAM, a Universidade Federal do Amazonas. Era uma oportunidade muito boa pra mim, porque o curso de Letras Japonês tava começando lá. E o Lira tava fazendo o doutorado dele em Brasília ainda. Então, o plano era que ele se mudasse assim que ele pudesse. Então, a gente passou bem menos tempo longe dessa segunda vez. Primeiro, assim que eu fiz todos os créditos do doutorado, eu me mudei lá pra Manaus, segundo, porque diferente do Japão, era muito mais barato e rápido fazer a ponte Brasília-Manaus. As 3h de avião pro Amazonas não eram nada comparadas com as trocentas horas de vôo até o outro lado do mundo. E não precisava de visto nem passaporte, então era só alegria. Aí surgiram as vagas na UnB. Fizemos o caminho de volta pra casa. Desse vez, eu fui primeiro pra Brasília, chegando no finalzinho de 2015, e aí a Kaoru também engatou um doutorado na UnB, enquanto esperava uma vaga. E aí, pra todos os efeitos, passamos mais outros 6 ano juntos. Tadan! E até que foi a vez deve ir pra Coréia. A do Sul, caso alguém esteja se perguntando! É de onde eu to gravando, aliás. Apesar de eu continuar falando “aqui” como se eu ainda estivesse em Brasília. Então a situação de quando eu tava no Japão se inverteu. Agora, comigo aqui no DF e ele lá em Seul. Mas toda a rotina que a gente já tinha desenvolvido antes, ficou sendo útil. A gente se telefona a cada 12h e como hoje tem aplicativo pra tudo quanto é coisa, fica se enviando mensagem, foto, sinal de fumaça e tudo que der. E como a gente dá certo? A gente escolhe todos os dias que dê certo! Uma escolha diária. 

Esse foi nosso sexto episódio do “Quem nunca? – histórias que a gente vive, mas os artigos não contam”. Se você está chegando aqui agora, volta e ouve os outros episódios e depois me conta qual é seu preferido! 

Eu tenho a sorte de colecionar pessoas incríveis ao meu redor e to muito feliz de poder compartilhar as histórias delas com mais gente! O Lira e a Kaoru gravaram esse relato separados por mais de 17.500 km de distância e 12 h de fuso. Muito obrigada!

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Se você quer contar seu causo aqui ou quer indicar alguém que tenha um causo pra contar, entra em contato com a gente por e-mail (cienciainformativa@gmail.com) ou pelas nossas redes sociais.

Obrigada por nos ler e até a próxima!

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