Por que as pessoas gostam tanto de consumir álcool? De onde vem a ressaca? Por que asiáticos e seus descendentes ficam vermelhos quando bebem? Por que algumas pessoas ficam bêbadas mais rápido que outras? Esta matéria vai tirar suas dúvidas com relação ao consumo de álcool e a como nosso organismo lida com essa ingestão.

Antes de mais nada, vamos conhecer melhor o que é o álcool. É uma molécula pequena, solúvel em água, absorvida lentamente pelo estômago e rapidamente pelo intestino delgado. Depois de chegar ao sangue, o álcool é distribuído pelo corpo e se difunde lentamente pelos tecidos. O cérebro e os pulmões são os mais rapidamente atingidos por serem tecidos que recebem muito sangue.

O metabolismo de álcool libera moléculas tóxicas no organismo que levam aos efeitos indesejáveis da ressaca: dores de cabeça, enjoo, insônia, cansaço, etc.

Então, por que o consumo de álcool é tão grande?

O álcool tem efeito sedativo e ativa o centro de recompensa e prazer do cérebro. Ele estimula a liberação de dopamina e serotonina, que são neurotransmissores associados às sensações de alegria e euforia. Por isso, nas primeiras horas após o início do consumo de bebidas alcoólicas, a maioria das pessoas realmente ficam relaxadas e desinibidas.

De onde vem a ressaca?

Após a ingestão do álcool, ele é quebrado dentro do organismo, o que leva à formação de um composto extremamente tóxico chamado acetaldeído, provavelmente o principal responsável pela ressaca. Felizmente, esse composto é convertido em acetato, que não é tóxico. Algumas pessoas fazem a conversão de álcool para acetaldeído rapidamente, mas têm dificuldade de converter esse composto tóxico em acetato, ou seja, não são eficientes na desintoxicação do organismo. Então, essas pessoas são mais suscetíveis a ter ressacas mais intensas.

Por que asiáticos e seus descendentes ficam vermelhos quando bebem?

Algumas pessoas, principalmente as que têm origem no leste asiático, têm uma mutação em uma enzima chamada aldeído desidrogenase 2 (ALDH2). Essa mutação faz a pessoa não ser muito eficiente na desintoxicação do organismo. Uma outra mutação, também comum no leste asiático, aumenta a eficiência da álcool desidrogenase (ADH), que acelera a formação do acetaldeído. Essas duas mutações levam ao acúmulo do acetaldeído no organismo por tempo prolongado. Isso leva à vermelhidão, taquicardia, dores de cabeça e náusea. Seria quase como uma ressaca instantânea.

Por que algumas pessoas ficam bêbadas mais rápido que outras?

Além das mutações mencionadas acima, outros fatorem também podem afetar a velocidade de absorção e de metabolização do álcool. A própria concentração de álcool na bebida interfere na velocidade de sua absorção. Bebidas como caipirinhas e outras misturas em que o álcool é diluído a 20-30%, aceleram a absorção. Por outro lado, cervejas que têm um teor alcoólico mais baixo (3-8%), tem absorção de álcool mais lenta. Uma concentração muito alta de álcool, como a encontrada em whisky e vodka, inibem a passagem do líquido do estômago para o intestino, diminuindo a velocidade de absorção.

Outro fator que influencia na disponibilidade de álcool no sangue e, consequentemente, dos seus efeitos no cérebro, é a quantidade de gordura nos tecidos, porque o álcool não é solúvel em gordura. Então, em geral, mulheres e pessoas com alto teor de gordura no organismo tendem a ficar bêbadas mais rapidamente. A presença de alimentos no estômago, especialmente os ricos em carboidratos, diminuem a velocidade de absorção do álcool, então, retardam seu efeito no organismo.

Outros fatores também podem ter influência na quantidade de álcool que circula no sangue e chega ao cérebro como, por exemplo, tamanho e peso do corpo, uso de outras drogas (incluindo medicamentos) e até fase do ciclo menstrual. Durante a ovulação e no período pré-menstrual, por exemplo, a concentração de álcool no sangue tende a ser maior.

 

Quer saber mais sobre esse assunto, veja também uma matéria sobre intolerância a álcool aqui.

https://pratofundo.com/4871/alcool-aldeido-desidrogenase/

 

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por Patricia S. Sujii

sujiips@gmail.com

Referências:

Luo, H. R., Wu, G. S., Pakstis, A. J., Tong, L., Oota, H., Kidd, K. K., & Zhang, Y. P. (2009). Origin and dispersal of atypical aldehyde dehydrogenase ALDH2⁎ 487Lys. Gene, 435(1), 96-103.

Paton, A. (2005). ABC of alcohol: Alcohol in the body. BMJ: British Medical Journal, 330(7482), 85.

Yokoyama, M., Yokoyama, A., Yokoyama, T., Funazu, K., Hamana, G., Kondo, S., … & Nakamura, H. (2005). Hangover susceptibility in relation to aldehyde dehydrogenase‐2 genotype, alcohol flushing, and mean corpuscular volume in japanese workers. Alcoholism: Clinical and Experimental Research, 29(7), 1165-1171.

One Reply to “Relaxamento, euforia e ressaca – como o álcool interage com nosso organismo”

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