Certamente você já ouviu falar das famosas “lojinhas de 1,99”, conhecidas pelos produtos com baixo custo, e muitas vezes, de qualidade duvidosa. Outra característica desse tipo de comércio é o extenso uso de plástico. O plástico entrou em nossa vida há pouco mais de 100 anos, mas não pretende sair tão cedo. Para a indústria foi uma revolução, já que se trata de um material extremamente versátil, barato e resistente a umidade. 

Começando pela Parkesina,o avô dos plásticos modernos, criada pelo inglês Alexander Parkes, que, em 1862, foi capaz de inventar uma resina moldável utilizando o nitrato de celulose, um polímero natural, como base. Apesar de ser muito inflamável, o material se destacou pela facilidade em ser transformado em diferentes objetos. 

Figura 1: Objetos feitos com Parkesina. 

A era dos plásticos começou de fato em 1907. Leo Baekeland, pesquisador e empreendedor, criou um dos primeiros plásticos totalmente sintéticos usando fenol e formaldeído, substâncias abundantes na época. Surgiu assim, o primeiro plástico de baixo custo de produção. Patenteado com o nome de baquelite, o material logo ficou conhecido no mercado como: “o material dos mil usos” e à partir daí surgiram muitas luminárias, telefones, aparelhos de som, câmeras fotográficas entre outros. 

A demanda do mercado cresceu e as empresas no ramo da química não perderam tempo em criar os mais variados tipos de plásticos. Atualmente, existem milhares de polímeros classificados como plástico. Na imagem abaixo você pode conferir alguns tipos que mais nos deparamos em nosso cotidiano.  

Figura 2: tipos de plástico comuns em nosso cotidiano. Ilustração de Sofia Helleny.

Porém, o outro lado da moeda, é o alto custo ambiental do plástico que, muitas vezes, não se contabiliza nos produtos baratos. No texto da semana passada, falamos um pouco sobre aterros sanitários, uma das melhores destinações para lixo urbano. No entanto, se não houver soluções integradas no tratamento do RSU (resíduo sólido urbano) o tempo de vida útil de um aterro diminui. Basicamente, quando um aterro sanitário está saturado de rejeitos não há o que fazer se não encerrar as atividades naquele local. 

A situação se complica se pensarmos que o plástico compõe 16,8% do RSU no Brasil [2]. Esse dado reflete a produção exponencial de 11,3 MILHÕES DE TONELADAS DE PLÁSTICO POR ANO. Nosso país já se enquadra como o 4° maior produtor desse material no mundo. Isso torna-se ainda mais preocupante levando em conta que apenas 1,28% desse total é efetivamente reciclado [1]. Tudo isso se agrava, com a demora de alguns tipos de plástico para se decompor. 

O plástico foi revolucionário, não se pode negar. Mas infelizmente, o custo do pós-uso que  oferece está se tornando insuportável para o meio ambiente. A simples ação de recusar o plástico de uso único (copos descartáveis, sacolas plásticas, talheres de plástico) faz toda diferença na não geração de mais resíduos plásticos. Conte para nós o que você tem feito para reduzir seu consumo de plástico.

Por Maria Moura

mariamoura.biology@gmail.com

Material complementar: 

[1]A História do Plástico | UP – Universo Plástico 

[2] ATLAS DO PLÁSTICO 2020 1 

Referências: 

[1] Brasil é o 4º país do mundo que mais gera lixo plástico 

[2]ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil 2020. São Paulo, 2020. Disponível em: https://abrelpe.org.br/panorama/  

[3] A brief history of plastics, natural and synthetic

[4] A era do plástico  

[5] ATLAS DO PLÁSTICO 2020 1 

[6] History and Future of Plastics

[7] Dois anos após fechamento do Lixão da Estrutural, novo aterro do DF está com 51% de ocupação 

[8] Como o plástico mudou a sociedade brasileira  

Direitos de imagem: 

Imagem em destaque: Photo by Erik Mclean on Unsplash;

Figura 1: Alexander Parkes – Materials Man And Polymath

Figura 2: Ilustração feita por Sofia Helleny;

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