Aquele potinho de iogurte, todos os copinhos de café tomados no trabalho, as sobras do jantar e muitos outros. Você já parou para refletir sobre cada coisa que jogamos no lixo todos os dias? Tudo isso, parece desaparecer depois que o saco de lixo é levado pelo caminhão. A grande questão é, até quando vamos poder fingir que o lixo desapareceu? O que acontece com o lixo que produzimos? 

Para começar a responder essas perguntas, temos que entender um extenso processo. É importante saber que existem muitos tipos de resíduos sólidos: os resíduos sólidos urbanos, resíduos de construção civil, industrial, agrícola e hospitalar são só alguns exemplos. Gostaria de salientar que neste texto, e nos seguintes, irei focar no resíduo sólido urbano (RSU) aquele produzido dentro de casa, escola, comércio varejista, entre outros. Tirando certos materiais com destinação específica (lâmpadas, pilhas, pneus e partes de eletrônicos) tratam-se de resíduos não perigosos e que não necessitam de manuseio especial durante a coleta.

  No Brasil, existe uma política que determina como é gerido cada tipo de resíduo. Esta é a Lei 12.305/10 ou Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Foi um marco na legislação brasileira sobre o assunto, tanto pela abrangência quanto pela ambição. Após vinte anos de tramitação, essa lei foi efetivada em 2010 fixando algumas metas, dentre elas a de encerrar todos os lixões do país. Algo de extrema importância, considerando que em 2014, prazo estipulado para o cumprimento da meta, ainda haviam mais de 2.000 lixões espalhados pelo Brasil.

Pode-se dizer, que os lixões são a forma mais simplória de se descartar resíduos, pois consiste em apenas despejar os resíduos a céu aberto sem nenhum tratamento prévio. Uma prática muito danosa para pessoas e meio ambiente. Isso porque gera a contaminação dos lençóis freáticos pelo chorume (líquido gerado pela decomposição do lixo), atrai animais transmissores de doenças, provoca a contaminação  do ar, além de proporcionar péssimas condições a pessoas que moram ou trabalham próximo a lixões. 

Mas aí você se pergunta: se os lixões não são viáveis, o que podemos fazer com nosso lixo? A PNRS prevê que no lugar dos antigos lixões sejam construídos aterros sanitários que dão a melhor destinação aos rejeitos (resíduos que já passaram por todas alternativas de reciclagem). Nos aterros sanitários, o solo é impermeabilizado e o chorume que se acumula é drenado e tratado, o gás metano resultante da decomposição de matéria orgânica é captado e convertido em CO2. Tudo isso visando atenuar os efeitos da decomposição do lixo ali presente. Para compreender melhor como funcionam os aterros sanitários, eu recomendo o vídeo A IMPORTÂNCIA DO ATERRO SANITÁRIO.

(Figura 1) Infográfico de um aterro sanitário com formato bolo de noiva. 

Apesar de muito caminho pela frente, o programa Lixão Zero do Ministério do Meio Ambiente tem feito progresso. Atualmente 55% dos municípios Brasileiros têm uma disposição correta de seu RSU em aterros sanitários.

Espero que depois de ler este texto você tenha conhecido um pouco mais sobre como funciona o gerenciamento de lixo no nosso país. Fique à vontade para mandar dúvidas ou comentários para nós aqui em baixo. Nas próximas semanas vamos explorar um pouco mais sobre um tipo de resíduos sólido muito comum: o plástico.  

Por Maria Moura

mariamoura.biology@gmail.com

Material complementar:

[1] Política de Resíduos Sólidos completa 10 anos sem cumprir meta principal: acabar com lixões

[2] A IMPORTÂNCIA DO ATERRO SANITÁRIO 

REFERÊNCIAS: 

[1] O que é Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)?

[2] L12305

[3] Lixão Zero — Português (Brasil)

[4] Política de Resíduos Sólidos completa 10 anos sem cumprir meta principal: acabar com lixões

[5] Lixo no Brasil, um problema ainda longe da solução 

[6] MARTINS, Márcia. Análise ambiental do aterro sanitário do município de Anápolis estado de Goiás. CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ANÁPOLIS – UNIEVANGÉLICA PROGRAMA DE MESTRADO EM SOCIEDADE, TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE. Anápolis, p. 129. 2011.(http://www.unievangelica.edu.br/files/images/M%C3%A1rcia%20Martins.pdf)

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