Nos últimos anos temos ouvido falar cada vez mais sobre vegetarianismo e veganismo,visto muitas pessoas mudando suas dietas alimentares para o consumo reduzido de carnes e muitos restaurantes incluírem pratos tanto vegetarianos quanto veganos dentro do cardápio. Apesar do crescente aumento de popularidade dessas dietas dentro da sociedade, estudos científicos investigando as consequências para nossa saúde só estão começando. Afinal, por que a sociedade está se tornando mais adepta dessas dietas e no que elas se baseiam?

As razões das pessoas se tornarem vegetarianas ou veganas são diversas, incluindo religiosas, associadas à saúde, à preservação do meio ambiente, e, principalmente, a preocupação com o bem-estar dos animais (1). Segundo a revista Forbes, 70% da população mundial está diminuindo ou abandonando o consumo de carne, sendo que a maior parte dessas pessoas são da geração Y ou “millenials” (nascidos de 1981 a 1999) que acompanharam o surgimento de novas tecnologias e acesso a internet, e desenvolveram uma preocupação sobre a origem dos alimentos, o impacto da produção no meio ambiente e a ética com os animais (2). Curiosamente, o país com o maior número de vegetarianos no mundo é a Índia, com cerca de 30% da população considerada vegetariana, principalmente por motivos religiosos (3). No Brasil, de acordo com dados da Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) obtidos em 2021, 46% dos brasileiros já deixam de comer carne, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana. Uma pesquisa de 2018, realizada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) ao Ibope, mostra que 14% dos brasileiros se consideravam vegetarianos e estavam dispostos a escolher mais produtos veganos, sendo que cerca de 3,2% da população brasileira foi considerada vegana (4).

Vegetarianismo é um termo genérico que cobre uma variedade de padrões de dieta que envolvem evitar a ingestão de carnes. Enquanto onívoros consomem todos os tipos de alimentos, incluindo carnes, vegetarianos são aqueles que não se alimentam de carne vermelha, carne de frango ou carne de peixe, mas podem se alimentar de produtos de origem animal, como laticínios e ovos. Dessa forma, vegetarianos podem ser sub-classificados a partir da inclusão de ovos (ovo-vegetarianos) e laticínios (lacto-vegetarianos), ou uma combinação destes alimentos na dieta. Também existem os pesco-vegetarianos, que excluem todos os tipos de carnes, com exceção de peixes e frutos do mar. Outra categoria, a do vegetarianismo restrito, exclui também os produtos de origem animal como laticínios e ovos. Finalmente, veganos são aqueles que não se alimentam de animais ou de produtos de origem animal, porém, para os veganos, as escolhas não se restringem a alimentação, mas também ao vestuário, espetáculos ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal, sendo esta excluída da vida de uma pessoa vegana, ou seja, ser vegano também é uma postura política. Também existem subcategorias como o fruitarismo, em que se alimentam apenas de frutos, e não das outras partes das plantas, ou o crudiveganismo, em que se alimentam de plantas e seus derivados apenas crus. Além do vegetarianismo e veganismo, também existe o flexitarianismo, que é o caso de onívoros que consomem carnes de forma reduzida, no máximo duas ou três vezes por semana (4, 5).

Nas próximas semanas vamos falar sobre as consequências dessas dietas na nossa saúde e os possíveis impactos no meio ambiente. Até lá!

Por Bianca Ribeiro

 Referências

  1. Borude, S. Which Is a Good Diet—Veg or Non-veg? Faith-Based Vegetarianism for Protection From Obesity—a Myth or Actuality? Obes. Surg.29, 1276–1280 (2019).
  2. https://www.forbes.com/sites/michaelpellmanrowland/2018/03/23/millennials-move-away-from-meat/?sh=380db217a4a4 Acessado em 10 de abril de 2022.
  3. Shridhar, K. et al. Nutritional profile of Indian vegetarian diets – the Indian Migration Study (IMS). Nutr. J. 13, 55 (2014).
  4. https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-10/no-brasil-14-da-populacao-se-considera-vegetariana Acessado em 10 de abril de 2022.
  5. Heiss, S., Hormes, J. M. & Alix Timko, C. 4 – Vegetarianism and Eating Disorders. in Vegetarian and Plant-Based Diets in Health and Disease Prevention (ed. Mariotti, F.) 51–69, Academic Press (2017).

Imagem de capa: www.freepik.com

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