Olá! 

Meu nome é Patricia Sujii e este é o “Quem nunca? – histórias que a gente vive, mas os artigos não contam”, uma série de crônicas do Ciência Informativa.

Criamos o Ciência Informativa pra ser uma conexão entre o que acontece dentro e fora dos muros das universidades e dos centros de pesquisa. Queremos mostrar pra todo mundo algumas das descobertas incríveis dos cientistas. Também queremos mostrar como a ciência tá no nosso cotidiano, crescendo e se metendo nas nossas rotinas, mesmo que às vezes a gente não perceba. 

Mantemos nossos textos semanais do blog sobre descobertas científicas, mas agora temos crônicas. Isso mesmo, nada de histórias complexas, nem relatos densos. São causos, daqueles que a gente conta pros amigos enquanto ri, suspira e até dá aquela choradinha de vez em quando. 

Alguns dos nossos causos vão mostrar os bastidores da pesquisa, o dia a dia de um laboratório, aventura de dias de campo,… mas também teremos alegrias, frustrações e inseguranças de quem faz pesquisa. E vamos além, também queremos saber de você, que não é cientista, mas que viveu alguma emoção por causa da ciência. Queremos ouvir causos em que a ciência é pano de fundo pra alguma experiência humana. 

Este conteúdo pode ser ouvido no formato de podcast ou pode ser lido. Tentamos transferir os relatos para o formato escrito da forma mais fiel possível. Vocês vão perceber que no meio do texto temos algumas descrições do tom de voz, das pausas e de emoções que a voz é capaz de transmitir. Queremos que quem não é capaz de ouvir um podcast também possa ter acesso aos nossos causos. Mas esse é um desafio novo pra gente. Então, se puderem nos enviar mensagens contando o que estão achando e sugestões de como podemos melhorar, agradecemos com aquele calorzinho no coração.   

Ouça todos os episódios: https://anchor.fm/ciencia-informativa

Neste segundo episódio do Quem nunca, vamos ouvir a Nathália, que está na equipe do Ciência Informativa desde o início, quando isso aqui tudo era mato. Esse relato é que quando ela ainda era estudante e de uma época em que ela viveu uma daquelas histórias que são ruins de passar, mas boas de contar!

Olá, meu nome é Nathália de Moraes Taniguti, sou professora, produtora de conteúdo científico e de ensino de ciências e faço parte do Ciência Informativa desde 2014. Te convido a pegar um café ou uma cerveja (depende do horário?)  e ouvir minha história de hoje, de quando eu me aventurava na bancada de laboratório, no nosso quadro “Quem nunca”. Bora lá?

O “causo” de hoje se passa lá em 2012, quando eu estava no 4º ano da graduação em ciências biológicas na ESALQ, USP. Hoje eu digo que ela é uma história engraçada, mas nos dias em que ela se passou, não foi nada engraçada e vocês vão entender porque.

Como eu disse, eu estava no penúltimo ano da graduação e ia apresentar meu trabalho de iniciação científica em um pôster no Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (o chamado SIICUSP). Eu estava super ansiosa para o meu primeiro grande evento científico, que iria acontecer em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Caprichei bastante na arte e no texto, imprimi meu pôster e chegando o dia, lá por outubro de 2012, peguei uma van com mais alguns colegas esalqueanos e fomos rumo ao evento. Chegando lá, eu toda empolgada e feliz, coloquei meu pôster no biombo (como se fosse uma parede plástica móvel) e fiquei no aguardo para que as pessoas passasem e eu pudesse explicar meu trabalho. Na época, eu estudava genes que poderiam explicar porque duas subespécies de bactérias tinham comportamentos tão diferentes em cana de açúcar: uma causava a doença e a outra não. Na foto do post em nosso blog você pode me ver nesse dia: toda arrumadinha, com minha melhor blusinha social (que eu ainda tinha até o ano passado), feliz por viver essa experiência. 

Mas mal sabia eu que terminaria aquele dia bem arrasada. As pessoas foram passando, eu fui explicando meu trabalho e eu sabia que alguns dos espectadores eram avaliadores do pôster, mas até então tudo bem, eu tinha estudado para me apresentar, lido bastante sobre o assunto e conversado com minha orientadora, a professora Claudia. Até que chegou ele, O avaliador. Ele chegou primeiro perguntando sobre as justificativas da minha pesquisa, questões que eu sabia bem responder e argumentar, mas aos poucos ele foi jogando algumas questões que eu mal entendia o que ele queria saber. Digamos que da pergunta feita, eu entendia algumas palavras e me apegava nessas poucas palavras para respondê-lo. Eu fiz o máximo que pude, mas eram perguntas tão específicas, tão difíceis, que mesmo tendo estudado tanto, eu não sabia. Eu fui me desesperando por dentro, mas por fora mantinha minha carinha plena, de quem estava entendendo e que estava tudo sob controle. Ele não foi mal educado ou grosseiro, mas eu me perguntava internamente “Meu Deus, por que eu não sei nada do que ele está me perguntando?”, aquela síndrome do impostor já vinha encostando e fazendo morada. Bom, passado alguns dos minutos mais longos da minha vida, terminei a apresentação para ele, que foi o último avaliador, e voltei para a van encontrar meus colegas. Naquele momento eu estava, como diria o Chaves “ cão arrependido, com o rabo entre as patas”. Eu estava muito triste, mas pensei, “ok, é a vida, foi minha primeira apresentação”. Conversei depois com minha orientadora e ela me ajudou a entender minhas dúvidas e disse que não tinha problema, eram realmente perguntas difíceis que ele me fez. Voltei ao meu trabalho normal no laboratório, experimentos, PCR, meios de cultura, disciplinas na faculdade, trabalhos, vida que segue. 

Alguns meses depois, lá por dezembro de 2012, recebi um e-mail no grupo do laboratório com o título  “Menção Honrosa”. Fui abrir para ver quem tinha ganho e para minha surpresa, sim, eu tinha ganho menção honrosa de pôster na categoria ciências biológicas no SIICUSP. Eu não acreditei! Como assim? Depois do que julguei ter sido uma “vergonhosa apresentação”? Sim, eu fui uma das premiadas. Eu fiquei muito muito feliz e entendi que, na verdade, eu tinha sim ido bem na apresentação, mas perfeccionista, desesperada e pessimista que sou, fui logo achando que tudo tinha sido horrível. E lá fui eu, na van com meus colegas esalqueanos também premiados a receber o prêmio na USP de São Paulo. Foi meu segundo prêmio e diante de todo o ocorrido, digo que foi o mais trabalhoso!

Voltei feliz e guardo meu certificado com minha menção honrosa com muito carinho. O avaliador do pôster não foi sem educação ou rude comigo, ele foi educado e fez perguntas pertinentes; eu provavelmente saberia responder outras questões que na hora julguei não saber, mas é aquela coisa, inexperiência, um dos meus primeiros eventos científicos, depois de uma ou outra pergunta que eu não sabia, me desesperei e deu aquele branco. Afinal, quem nunca achou que deu tudo errado e no fim deu tudo certo?  

Ahh, mas espera que não acabou… vem aí um bônus: cerca de 6 meses depois meu melhor amigo (hoje meu marido) foi participar de um evento de computação científica e lá, adivinhem só quem ele encontrou? Sim, o avaliador. Meu, então, amigo sabia quem era o avaliador pois eu havia lhe falado e chorado as pitangas alguns meses antes. O bônus é que meu marido falou de mim para ele, que eu tinha achado as perguntas muito difíceis e que tinha ficado chateada, assim, de cara. Mas, no final das contas, o avaliador falou que foi tudo bem, que era papel dele ser um pouco “chato” e ainda no fim eles tomaram um chopp juntos com a galera do evento.

(Fazer o fechamento com a chamada para participação)

Esse foi nosso segundo causo do “Quem nunca? – histórias que a gente vive, mas os artigos não contam”. Gostou da proposta? Siga a gente no Spotify, assine no apple podcasts ou se inscreva no Google podcast pra não perder nenhum episódio. Aproveita e compartilha com alguém que ainda não conhece a gente! 

Se você quer contar seu causo aqui ou quer indicar alguém que tenha um causo pra contar, entra em contato com a gente por e-mail (cienciainformativa@gmail.com) ou pelas nossas redes sociais.

Obrigada por nos ouvir ou nos ler e até a próxima!

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