Se pararmos para observar as embalagens dos produtos alimentícios, veremos que muitos indicam que o produto “CONTÉM GLÚTEN” ou que “NÃO CONTÉM GLÚTEN”. Você sabe o que é o glúten e por que existe uma preocupação tão grande em indicar que ele está ou não está presente nos produtos alimentícios?

   O glúten é uma proteína encontrada em cereais como o trigo, o centeio, a cevada e, consequentemente, em seus derivados. Existem diversas pessoas que são alérgicas ou sensíveis ao glúten e outras que têm doenças auto-imunes ligadas a essa proteína (ex: doença celíaca). Essas pessoas devem evitar ou excluir o glúten da alimentação. Por isso, embalagens de diversos produtos indicam que não há essa proteína na sua composição e que é seguro para essas pessoas ingerirem esses alimentos.

Como o glúten pode prejudicar a saúde de uma pessoa?
   Existem os efeitos comuns de alergias, como coceiras, inchaço e irritação ao redor da boca. Também é possível observar efeitos mais severos como diarreia, vômito, dificuldade respiratória e anafilaxia (reação alérgica aguda que pode ser fatal). Entre os sintomas da doença celíacas, podemos citar dor e desconforto no sistema digestivo, diarreia, anemia e fadiga intensa. Outros sintomas de intolerância a glúten são dores de cabeça e nas articulações, dores abdominais e perda de peso [1]. Se você tem algum desses sintomas e suspeita que tem problemas com o glúten, procure um médico! Não tire conclusões com base apenas no que leu na internet!

   Existem relatos de que o glúten pode agravar ou levar ao autismo e à esquizofrenia. Algumas crianças com autismo podem ter as paredes dos intestinos mais permeáveis do que pessoas saudáveis. Isso leva a uma maior absorção de pedaços de proteínas que normalmente não são absorvidas pelo organismo e que podem levar a comportamentos relacionados ao autismo [2]. Por isso, em alguns casos, é indicado que pessoas com autismo adotem dietas sem glúten. Entretanto, ainda não há um estudo que comprove a eficácia desse tipo de dieta para diminuir os efeitos do autismo [3]. Quanto à esquizofrenia, também ainda não existem estudos conclusivos. Alguns estudos indicam que uma pequena porcentagem das pessoas com esquizofrenia podem ser intolerantes ao glúten e que outros podem absorver pedaços de proteínas que não sejam muito saudáveis, como os autistas, mas não foram encontradas relações diretas entre a ingestão de glúten e doenças que afetem o sistema nervoso [1].

   Para alegria e bem estar das pessoas que devem evitar o glúten, é cada vez mais comum encontrar alimentos que não contém essa proteína. Pessoas que antigamente não podiam comer bolos, pães, macarrão, entre diversos outros alimentos, hoje podem ter acesso a versões desses produtos apropriadas para suas restrições alimentares. Isso melhora a qualidade de vida dessas pessoas.

  Por outro lado, esse aumento de oferta de alimentos sem glúten pode fazer muitas pessoas que nunca tiveram problemas com essa proteína se perguntar: “Será que faz bem parar de comer glúten?”. De acordo com Dr. Daniel A. Leffler, especialista em doença celíaca da Universidade de Harvard, diversas pessoas têm retirado o glúten da alimentação para perder peso, ter mais energia, tratar autismo ou sentir-se mais saudável, apenas com base em relatos da mídia e sem maiores evidências científicas. Ele também diz que essas pessoas podem estar apenas gastando dinheiro, porque versões sem glúten dos produtos costumam ser mais caras e podem não ter efeito significativo na saúde de muitas pessoas [5]. Então, se você não tem dinheiro de sobra, procure orientação médica antes de começar a mudar sua dieta radicalmente.

por Patricia Sanae Sujii

sujiips@gmail.com

 

Referências
[1] Czaja-Bulsa, G. (2015). Non coeliac gluten sensitivity–A new disease with gluten intolerance. Clinical Nutrition, 34(2), 189-194.
[2] Marcason W. What is the current status of research concerning use of a gluten-free, casein-free diet for children diagnosed with autism? J Am Diet Assoc 2009 Mar;109(3):572. http://dx.doi.org/10.1016/j.jada.2009.01.013.
[3] Millward C, Ferriter M, Calver S, Connell-Jones G. Gluten- and casein-free diets for autistic spectrum disorder. Cochrane Database Syst Rev 2008;2. CD003498.
[4] Catassi C, Bai JC, Bonaz B, Bouma G, Calabro A, Carroccio A, et al. Non-celiac gluten sensitivity: the new frontier of gluten related disorders. Nutrients 2013;5:3839e53. http://dx.doi.org/10.3390/nu5103839.
[5] www.health.harvard.edu/blog/going-gluten-free-just-because-heres-what-you-need-to-know-201302205916

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