Pesquisadores de vários países estão trabalhando juntos na tentativa de desenvolver uma vacina eficaz e segura contra o vírus da Zika.  Essa doença vem recebendo atenção mundial devido a confirmação de sua relação com os casos de microcefalia, bem como pela descoberta da possibilidade de se adquirir o vírus via transmissão sexual, mesmo muitos dias após o contato com o vírus.

Três tipos de vacinas foram testadas em camundongos e mais recentemente em macacos Rhesus: 1) Vacina obtida a partir do vírus da zika inativado; 2) Vacinas de DNA e 3) Uma formulação que usa adenovírus recombinante para expressar os genes do zika. O 1º tipo de vacina foi obtido a partir de solução contendo os vírus mortos que, ao serem introduzidas no organismo, induzem a uma resposta imunológica e levam a criação de células de memória, o que permite uma ação rápida do sistema imune frente a um novo contato com o vírus.

O 2º tipo de vacina, que são as de DNA, são assim chamadas por conterem um fragmento da sequencia de dois genes virais, que fazem parte do complexo proteico que recobre externamente o vírus: o prM (que codifica a proteínas pré-membrana) e a proteína do envelope. Quando o sistema de defesa do organismo entra em contato com essas sequencias, ele identifica a presença do vírus e células de defesa são capazes de induzir a produção de anticorpos, por sua exposição aos linfócitos B.

E o 3º tipo de vacina desenvolvida foi obtida a partir de adenovírus recombinante, que expressa genes específicos do vírus da zika, ou seja, o adenovírus produz algumas proteínas do vírus da zika e quando essas proteínas são introduzidas no interior do organismo, induz uma resposta do sistema imune semelhante à vacina de DNA.

Nos últimos testes com macacos rhesus, os três tipos de vacina se mostraram igualmente eficientes quanto a capacidade de impedir a infecção do vírus da zika.. Outra característica importante, é que todas se demonstraram eficazes no controle tanto da variedade do vírus da Zika em no Brasil, como da encontrada em Porto Rico.

Após a imunização e posterior contato com o vírus, nenhum macaco apresentou níveis detectáveis do vírus no sangue, tampouco na urina, no líquido cefalorraquidiano e nem na secreção vaginal, o que é fundamental para evitar a transmissão sexual.

Esses resultados positivos encontrados com macacos são fundamentais, uma vez que eles apresentam um sistema imunológico mais complexo que o de camundongos, além de apresentarem grande semelhança ao de humanos. Desta forma, dentro de alguns meses os pesquisadores pretendem começar a primeira fase de testes de imunização em humanos.

 

Por Jaqueline R. de Almeida

jaqueline.raquel.almeida@usp.br

 

Referencias

ABBINK, P. et alProtective efficacy of multiple vaccine platforms against Zika virus challenge in rhesus monkeysScience. 4 de ago. 2016.

LAROCCA, R. A. et alVaccine protection against Zika virus from BrazilNature. 28 jun. 2016.

ZORZATTO, R. Vacinas contra o zica evitam infecção em macacos. Pesquisa FAPESP. 5 ago. 2016.

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