Segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, o tabaco é o nome popular dado a plantas do gênero Nicotiana (mais comumente a Nicotiana tabacum) (figura 1), classificadas primeiramente por Lineu em 1753 em homenagem ao embaixador francês Jean Nicot. Tabaco também pode ser o nome dado ao produto agrícola obtido a partir das folhas dessas plantas. Ele é consumido na forma de cigarros, cachimbos, narguilés, charutos e pode também ser mascado; alguns medicamentos e defensivos agrícolas também utilizam como base o tabaco.

Figura 1: Nicotiana sp [7]

Antes de se espalhar pelo mundo, de acordo com os historiadores, o tabaco era usado como parte de rituais xamânicos realizados por nativos americanos há mais de 5 mil anos. Provavelmente o tabaco (assim como outras plantas) era utilizado em cerimônias para se entrar em transe e, de acordo com a crença desses povos, chegar ao mundo espiritual. Depois, com o passar do tempo, passou a ser usado como forma de socialização e recreação/prazer.

Evidências desses aspectos históricos podem ser vistas em artefatos recuperados que eram usados como cachimbos e em pinturas antigas que retratam pessoas com smoking tubes, que seriam o equivalente aos cigarros e cachimbos que conhecemos (figura 2). Os tubos por onde os nativos fumavam eram de diferentes formas e eram encravados com diferentes símbolos e desenhos, o que segundo os pesquisadores, pode identificar diferentes tribos e castas/grupos sociais.

Alguns deuses mitológicos dos povos nativos americanos são relacionados ao tabaco, como a deusa asteca Cihuacoahuatl (figura 2), a qual os astecas pensavam estar encarnada na planta de tabaco.

Figura 2: esquerda – ilustração que mostra pessoas com cachimbos (smoking tubes) [3]. Direita – deusa asteca Cihuacoahuatl [4]

Quando os europeus chegaram à América, eles tiveram o primeiro contato com o tabaco sendo usado pelos povos nativos de diversas maneiras, não apenas fumado, mas também sendo mastigado, por exemplo, com outras folhas e frutas, ou administrado por via retal, para fins medicinais.

Os europeus logo perceberam o potencial do tabaco e não demorou muito para que este produto chegasse à Europa, Ásia e outras partes do mundo, inicialmente com propósitos medicinais. Segundo os historiadores, é difícil estabelecer quando o tabaco passou a ser usado para fins recreativos, mas certamente não demorou muito tempo após sua introdução na Europa, no início do século XVII, para que ocorresse. Na Espanha, por exemplo, fumar charutos era considerado um luxo e já por volta do ano de 1840 começaram a surgir relatos do uso de cigarros. 

Após um tempo, o tabaco passou de um elemento ritualístico para uma commodity de consumo massivo, que rendia lucro para quem a vendia, mas nem sempre com o uso e a venda sendo bem aceitos por questões políticas e culturais. Em 1604, por exemplo, o rei da Inglaterra e da Escócia James I aumentou em 4000X o imposto sobre o tabaco, como forma de diminuir seu consumo, já que era considerado prejudicial à saúde e ainda produzia uma fumaça muito mal cheirosa.

Pulando para os dias atuais, vamos falar também sobre o cigarro e o tabagismo associado a este. O cigarro se popularizou no mundo após a Primeira Guerra Mundial, com a ajuda da publicidade e alavancado pelo fato de que o tabaco era dado gratuitamente aos soldados durante a guerra.  O aumento no interesse da população em fumar aumentou ano após ano e só foi diminuir – ainda que lentamente – após várias sociedades científicas apontarem para os prejuízos causados pelo tabagismo (tabagismo é o vício do consumo de cigarros e outros produtos que contenham tabaco). 

As cinco maiores indústrias que produzem cigarro no mundo tiveram um lucro superior a 62 bilhões de dólares em 2015. Mais assustador que esse número é a proporção de fumantes no mundo: cerca de 20% da população mundial é fumante. Mas essa proporção muda de acordo com o país. Na Grécia, por exemplo, esse número aumenta para 43% e no Chile chega a 38%; já no Brasil, cerca de 14% da população é fumante.

Quais são as consequências do tabagismo para nossa saúde? Quais os efeitos do plantio de tabaco para o meio ambiente? No texto da próxima semana iremos saber essas respostas.

Por Nathália de Moraes

nathalia.esalq.bio@gmail.com

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Referências

[1] http://archive.boston.com/news/globe/ideas/articles/2005/05/15/tobacco_history/ 

[2] History of smoking – https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_smoking

[3] https://en.wikipedia.org/wiki/History_of_smoking#/media/File:Aztec_feast_1.jpg

[4] https://en.wikipedia.org/wiki/Cihuac%C5%8D%C4%81tl

[5] Strong Drink and Tobacco Smoke – The Structure, Growth, and Uses of Malt, Hops, Yeast, and Tobacco. Henry P. Prescott · 2017. 

[6] Tobacco in History: The Cultures of Dependence. Jordan Goodman. 

[7] https://www.britannica.com/plant/tobacco-genus 

[8] https://pt.wikipedia.org/wiki/Tabaco

[9] http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/tabagismo.htm 

[10] https://www.uicc.org/blog/addressing-industry-profits-part-tobacco-control

[11] https://ourworldindata.org/smoking

[12] https://www2.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/tabaco.htm 

[13] https://www.revistas.usp.br/revistaingesta/article/download/164561/157805/

Fonte da imagem em destaque: colourbox

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