A teoria mais aceita hoje é de que os organismos envelhecem e morrem porque suas células perdem a capacidade de desempenhar funções e, consequentemente, definham e morrem mais rapidamente do que conseguem ser repostas. E, mesmo sendo resultado de um processo natural, sabemos que alguns fatores interferem diretamente na qualidade e no tempo de nosso envelhecimento. Acredita-se que a genética é o principal fator biológico associado ao processo de envelhecimento. Experimentos com organismos modelos, como camundongos e leveduras, provocaram alterações em genes relacionados ao envelhecimento e, como resposta, apresentaram um aumento em seu período de vida. Esses resultados levantaram a ideia de que a senescência pode ser considerada como um processo maleável, podendo ser de certa maneira controlada. Porém, os cientistas sabem que o processo de envelhecimento não é nada simples e que um tratamento genético para retardar esse processo em humanos está longe de ser desenvolvido. Para se ter uma ideia, acredita-se que mais de 2.000 genes apresentam a capacidade de influenciarem no processo de envelhecimento. Além do tempo, modificações no DNA da uma célula podem influenciar diretamente sua velocidade de senescência. As ‘lesões’ na molécula de DNA podem ser causadas tanto por fenômenos ambientais – como radiação solar – como por reações químicas normais do organismo – como por exemplo reações da cadeia respiratória. Em um estudo publicado por Tomas Lindahl nos anos 70, demonstrou-se que, diariamente, uma única célula sofre 10 mil pequenas alterações espontâneas. No entanto, existem proteínas que atuam como reparadoras do material genético, impedindo que o DNA retenha essas alterações e permitindo que a célula seja capaz de manter suas características, bem como dar origem a células idênticas a si. Outro vilão muito conhecido do envelhecimento são os radicais livres, produzidos nas centrais energéticas da célula, a mitocôndria. Os radicais livres, em uma baixa concentração, são capazes de induzir a produção de compostos antioxidantes, que protegem as células do envelhecimento. Porém, em altas concentrações, os radicais livres podem modificar proteínas e o próprio DNA, podendo levar a morte celular. Além desses mecanismos, estudos demonstram que os hábitos alimentares também influenciam diretamente no processo de envelhecimento. Estudos realizados com camundongos revelaram que aqueles que foram alimentados com maior restrição calórica apresentaram um aumento em sua longevidade, quando comparado aos que receberam uma dieta mais nutritiva. O resultado molecular dessa análise revelou que aqueles que receberam a dieta mais restritiva apresentaram uma alteração no funcionamento das mitocôndrias, que apresentaram menos danos e eram mais rapidamente substituídas, tornando-as mais resistentes a estresses celulares. Apesar dos grandes avanços que podem ser observados nesta área, ainda estamos longe de ter um tratamento contra o envelhecimento. A busca da compreensão de como esse processo ocorre pode nos dar alternativas no futuro para vivermos, se não mais, com mais saúde.

Por Jaqueline Almeida

jaqueline.raquel.almeida@usp.br

Referência

Pivetta,M.; Zorzetto,R. Os mecanismos do envelhecimento. Pesquisa Fapesp, Ed. 254. Abril de 2017.

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