Por transmitir 3 graves doenças, Zika, Dengue e Febre Chikungunya, o mosquito Aedes aegypti está sendo intensivamente estudado, com o objetivo de encontrar soluções eficientes para seu controle.

   O principal passo é evitar recipientes e locais que possam acumular água, diminuindo assim os locais de depósito de ovos do mosquito. Porém, exterminar os criadouros do mosquito é uma missão muito difícil, uma vez que agora ele necessita de um volume muito menor água para chegar a fase adulta, quando comparado a alguns anos atrás. Além disso, o mosquito também tornou-se capaz de se desenvolver em água suja, fato sobre o qual não se tinha conhecimento há algum tempo atrás.

   Devido a expansão de sua capacidade de reprodução e também pelo aumento do número de casos de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, novas formas de controle foram encontradas. Já falamos sobre o caso do mosquito transgênico liberado na cidade de Piracicaba, no interior de SP (você pode saber mais sobre ele aqui). Uma nova estratégia que está sendo testada em duas cidades do estado do Rio de Janeiro é a utilização da bactéria Wolbachia pipientis, comumente encontrada em insetos, para o controle desses mosquitos.

   Pesquisadores do programa internacional ‘Eliminar a Dengue: Nosso Desafio’, liderado pelo professor Scott O’Neill, da Universidade de Monash (Melbourne, Austrália) demonstraram que quando a bactéria Wolbachia está presente no mosquito Aedes aegypti, ela é capaz de impedir que os vírus  da dengue, da febre amarela, do Zika e do causador da Chikungunya estabeleçam-se nas glândulas salivares do mosquito, bloqueando assim a transmissão dessas doenças.

   Além disso, a Wolbachia é naturalmente transmitida da mãe para filho e também transmitida de pai para filho, ou seja, caso a fêmea não portadora da bactéria seja fecundada por um macho portador, seus filhos também serão portadores da bactéria. Esse mecanismo é fundamental para a autossustentabilidade desse processo de controle. Caso queria saber mais detalhes sobre esta pesquisa acesse aqui.

   Outro estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) desenvolveram um bioinseticida a partir de 3 fungos isolados na Amazônia. Este é capaz de matar os ovos e as larvas do mosquito Aedes aegypti em até 24h após sua aplicação.

   Os fungos utilizados para a confecção deste bioinseticida não são tóxicos ao homem e muitos já têm permissão do Ministério da Agricultura para serem usados no combate de insetos praga de agricultura. O bioinseticida funciona de forma simples podendo ser borrifado diretamente em água na forma de spray ou também em forma de extrato (que ainda está em desenvolvimento) e que poderá ser colocado em vasos e em locais que acumulam água. Este bioinseticida ainda não está disponível no mercado, pois faltam empresas interessadas em produzi-lo. No entanto, segundo os pesquisadores, o produto necessita de um processo de produção simples e de baixo custo financeiro.

   Novas alternativas para o controle do mosquito Aedes aegypti vêm sendo estudadas, mas a forma mais eficiente de diminuir sua proliferação ainda é por meio da eliminação de possíveis criadouros do mosquito. Então vamos fazer a nossa parte!

Por Jaqueline Almeida
jaqueline.raquel.almeida@usp.br

Referências
http://www.blog.saude.gov.br/combate-ao-aedes
http://portal.fiocruz.br/pt-br/content/oms-incentiva-o-investimento-em-novas-estrategias-de-controle-do-aedes-aegypti
http://www.fiocruz.br/ioc/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1591&sid=32
http://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2016/02/fungos-da-amazonia-sao-usados-em-bioinseticida-contra-aedes-aegypti.html

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