Um bebê humano se desenvolve no útero da mãe, sem contato com o mundo externo até o parto. Ele fica ligado à mãe pela placenta, que é um órgão por onde passam nutrientes e oxigênio necessários para sua sobrevivência e seu desenvolvimento. A placenta protege o bebê bloqueando a passagem de alguns agentes causadores de doenças, por exemplo, o vírus da gripe (Influenza) e o protozoário que causa a doença de Chagas. Porém, alguns vírus, bactérias e protozoários conseguem atravessar a placenta e infectar o bebê, como é o caso do zika vírus, o vírus da rubéola e o protozoário que causa toxoplasmose [1]. 

Alguns tipos de anticorpos produzidos pela mãe também são capazes de atravessar a placenta. Esses anticorpos protegem o bebê dentro do útero e também depois do nascimento por algum tempo. A duração e a intensidade da proteção dependem de muitos fatores, como o tipo de anticorpo e características de saúde do próprio bebê.

Então, por que gestantes podem só podem tomar algumas vacinas? 

Os dois principais motivos que fazem algumas vacinas serem contraindicadas para gestantes são: risco à saúde do feto e risco de efeitos colaterais. Vamos ver exemplos para entender como cada um funciona. [2]

Risco à saúde do feto

Algumas vacinas são produzidas a partir de microrganismos vivos, mas enfraquecidos. Os organismos de crianças e adultos saudáveis são capazes de identificar esses microrganismos e produzir anticorpos e outras formas de proteção rapidamente. Porém, o sistema imunológico de fetos ainda está sendo desenvolvido e não é capaz de protegê-los de forma eficiente. Então, a vacina pode causar a doença no feto. Esse é o caso das vacinas da rubéola, do sarampo e da polio. Esses vírus são capazes de atravessar a placenta e chegar até o feto e deixá-lo doente antes mesmo de nascer. Por isso, é recomendado aguardar o bebê nascer e esperar alguns meses para vaciná-lo. 

Risco de efeitos colateriais

Algumas vacinas podem ter efeitos colaterais na população em geral, como febre e reações alérgicas. Em gestantes, também podem existir casos de bebês com baixo peso ao nascer, parto prematuro ou problemas no desenvolvimento do feto. Vacinas que podem ter esses tipos de efeitos são contraindicadas para gestantes, como as vacinas contra HPV e febre amarela. [3]

Vacinas contra covid-19

Até o momento, ainda não foram feitos testes das vacinas contra o vírus causador da covid-19 em gestantes. Alguns estudos indicam que uma mãe infectada pelo vírus pode transmiti-lo para o feto através da placenta, mas os eventos são muito raros. Pesquisadores também observaram que anticorpos produzidos pela mãe contra o coronavírus podem chegar ao feto e protegê-lo após o nascimento. Porém, ainda existem poucos estudos para podermos tirar conclusões bastante confiáveis. [5, 6]

Então, gestantes sempre devem consultar seus médicos antes de tomar uma vacina. Os profissionais de saúde são treinados para entender os estudos e nos orientar. Com isso, chegamos ao fim do mês das vacinas no Ciência Informativa. Se você ainda tem dúvidas sobre o assunto ou quer sugerir outro tema, mande suas sugestões para nós nas nossas redes sociais ou por e-mail. Obrigada por acompanharem nossas publicações! 

por Patricia S. Sujii

cienciainformativa@gmail.com

Referências

[1] Zeldovich, V. B., & Bakardjiev, A. I. (2012). Host defense and tolerance: unique challenges in the placenta. PLoS pathogens, 8(8), e1002804.

[2] https://www.who.int/vaccine_safety/publications/safety_pregnancy_nov2014.pdf

[3] Scheller, N. M., Pasternak, B., Mølgaard-Nielsen, D., Svanström, H., & Hviid, A. (2017). Quadrivalent HPV vaccination and the risk of adverse pregnancy outcomes. New England journal of medicine, 376(13), 1223-1233.

[4] Thomas, R. E., Lorenzetti, D. L., Spragins, W., Jackson, D., & Williamson, T. (2012). The safety of yellow fever vaccine 17D or 17DD in children, pregnant women, HIV+ individuals, and older persons: systematic review. The American journal of tropical medicine and hygiene, 86(2), 359-372.

[5] Fenizia, C., Biasin, M., Cetin, I., Vergani, P., Mileto, D., Spinillo, A., … & Savasi, V. (2020). Analysis of SARS-CoV-2 vertical transmission during pregnancy. Nature communications, 11(1), 1-10.

[6] Flannery, D. D., Gouma, S., Dhudasia, M. B., Mukhopadhyay, S., Pfeifer, M. R., Woodford, E. C., … & Puopolo, K. M. (2021). Assessment of Maternal and Neonatal Cord Blood SARS-CoV-2 Antibodies and Placental Transfer Ratios. JAMA pediatrics.

Foto de capa: Alicia Petresc em Unsplash

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.