Durante os últimos meses, a busca por “como fazer meditação para ansiedade” no Google cresceu mais de 4000%, já que muitas pessoas começaram a procurar formas de aliviar a tensão, a ansiedade e o estresse resultantes da pandemia que estamos vivendo (1). Nesse texto vamos explicar o que é meditação, seus tipos e o que acontece com nosso corpo quando meditamos.

A meditação é considerada uma prática espiritual oriunda das filosofias orientais há mais de 5000 anos. Apesar de não haver cientificamente um consenso para a definição de meditação, ela pode ser entendida como uma forma de treinamento mental que pode resultar na melhora de nossas capacidades psicológicas, como controle de nosso emocional e de nossa atenção. A palavra “meditação” é derivada do latim “meditari”, que significa “envolver-se em contemplação e reflexão”. Nos últimos 50 anos, as práticas meditativas têm se tornado mais populares na sociedade ocidental como alternativas de estratégias terapêuticas para diversos problemas de saúde. Acredita-se que hoje em dia mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo apresentam o hábito de meditar (2, 3). 

Para uma técnica ser considerada meditativa, ela precisa seguir algumas características como envolver relaxamento dos músculos, relaxamento da lógica (por exemplo, não criar expectativas sobre a meditação durante a prática), e ser um processo induzido pelo próprio praticante. As práticas meditativas podem ser divididas em pelo menos cinco tipos, as quais são meditação de atenção plena como o zen e o mindfulness (mente plena), meditação a partir de mantras, yoga, tai chi e qi gong, sendo que cada estilo de meditação pode operar a partir de mecanismos neurais distintos. Também podemos categorizar a prática meditativa como passiva, a qual é feita de forma sentada e silenciosa, como a meditação zen e mindfulness, ou ativa, a qual utiliza movimento do corpo para entrar no processo meditativo, como a yoga. Nos últimos tempos, temos ouvido falar frequentemente sobre a meditação “mindfulness”, que é na verdade uma adaptação ocidental de técnicas de meditação orientais como o zen. Este processo envolve basicamente dar atenção plena ao presente sem julgamentos e análises, a qual tem sido objeto de estudo para muitos cientistas e também será o foco dos textos deste mês (3, 4). 

Estudos têm revelado que quando meditamos, nosso sistema nervoso autônomo sofre alterações, como redução do consumo de oxigênio, da eliminação do gás carbônico e da taxa respiratória, resultando em uma diminuição da taxa do metabolismo. Também foi demonstrado que a meditação ajuda a diminuir o lactato plasmático, o que resulta na diminuição da ansiedade e alguns estudos também encontraram redução da frequência cardíaca. Assim, o corpo pode atingir um estado de hipometabolismo basal ao mesmo tempo que a mente está alerta, o que resulta no desenvolvimento do controle de determinadas funções fisiológicas involuntárias. Na psicologia, a meditação pode ser entendida como uma técnica de biofeedback, ou seja, de auto regulação de funções corporais, principalmente da atenção (2, 3).

Apesar dos estudos científicos sobre meditação estarem crescendo rapidamente, ainda estão apenas no início. De qualquer forma, diminuição da ansiedade e estresse são alguns exemplos dos potenciais benefícios já comprovados da meditação. Nas próximas semanas vamos falar mais a respeito das pesquisas que estão sendo desenvolvidas e de suas descobertas sobre esse assunto. Até lá!

Por Bianca Ribeiro

Referências:

(1) https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/10/25/pergunta-como-fazer-meditacao-para-ansiedade-cresceu-4000-no-google Acessado em 2 de março de 2021.

(2) Tang, YY., Hölzel, B. & Posner, M. The neuroscience of mindfulness meditation. Nat Rev Neurosci 16, 213–225 (2015). https://doi.org/10.1038/nrn3916

(3) Menezes, CB. Por que meditar? A relação entre o tempo de prática de meditação, o bem-estar psicológico e os traços de personalidade. Dissertação de mestrado. UFRS (2009).

(4) Ospina MB, Bond TK, Karkhaneh M, Tjosvold L, Vandermeer B, Liang Y, Bialy L, Hooton N, Buscemi N, Dryden DM, Klassen TP. Meditation Practices for Health: State of the Research. Agency for Healthcare Research and Quality (2007).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.