No último mês, escrevemos a respeito da pandemia que estamos vivendo causada pelo coronavírus (COVID-19). O Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de casos e, infelizmente, nessa semana completamos cinco semanas com média diária de mortes por COVID-19 igual ou superior a mil (1). Esta doença está tornando muitas pessoas ansiosas e depressivas, inclusive os diabéticos, já que apresentam um risco maior de sofrerem complicações ou de mortalidade pela COVID-19.

Em estudos realizados na China, cientistas mostram uma correlação significativa entre a severidade de COVID-19 e diabetes. Além disso, também observaram uma mortalidade de 7.3% em pacientes com diabetes, enquanto a taxa para pacientes sem diabetes foi de 2.3%. Em um estudo recente realizado nos Estados Unidos, foi observado que pacientes diabéticos têm uma mortalidade por COVID-19 aumentada em até quatro vezes (2).

Apesar de um descontrole glicêmico no organismo dificultar a resposta imune contra infecções virais e assim resultar no aumento de infecções secundárias causadas por bactérias nos pulmões, ainda não se sabe ao certo a razão pela qual a diabetes aumenta a severidade de COVID-19, porém, cientistas têm investigado alguns fatores. Acredita-se que a secreção anormal de citocinas, proteínas sinalizadoras secretadas por diversas células do corpo, principalmente em estados pré-existentes de inflamação, e adipocinas, proteínas sinalizadoras secretadas pelo tecido adiposo, em pacientes com diabetes tipo 2 e obesos, podem ser as responsáveis pela síndrome de aflição respiratória aguda (ARDS) e disfunção de múltiplos órgãos (3).

Cientistas também demonstraram que pacientes com diabetes apresentam elevados níveis de proteínas que podem aumentar a capacidade do coronavírus de se multiplicar dentro do organismo, como o plasminogênio. Esta proteína tem dificuldades de ser convertida em plasmina em diabéticos, a qual está relacionada com a cicatrização de ferimentos (2). O aumento de outra proteína, furina, gera alterações metabólicas em pacientes com diabetes e está relacionada com a maior entrada de vírus dentro das células (4).

Uma outra proteína importante para a entrada do COVID-19 dentro das células, a ACE2, está presente em menor quantidade em diabéticos, o que diminui a entrada do vírus nas células, porém, esse fator também está associado com lesões dos pulmões mais intensas nesses pacientes. Outros fatores associados com diabetes, como hipertensão, doença arterial coronariana e doença crônica renal, além da hipoglicemia presente durante o tratamento da diabetes, também ajudam a piorar o quadro da COVID-19 (2).

Apesar de ainda não termos uma cura para a COVID-19, cientistas têm trabalhado no desenvolvimento de vacinas, e nos últimos meses, muitas drogas têm sido estudadas e testadas no tratamento desta doença em pacientes com diabetes (2). O que nos resta a fazer é seguir as medidas preventivas para COVID-19 e adquirir hábitos saudáveis para evitar ou controlar a diabetes. Você quer saber sobre esses hábitos? Na próxima semana vamos falar sobre isso de acordo com pesquisas recentes. Até lá!

 

Por Bianca Ribeiro 

 

Referências

(1) https://arte.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/aceleracao-covid-no-brasil/ Acessado em 20 de julho de 2020.

(2) Gupta, R., Hussain, A. & Misra, A. Diabetes and COVID-19: evidence, current status and unanswered research questions. Eur J Clin Nutr 74, 864–870 (2020).

(3) Huttunen R, Syrjänen J. Obesity and the risk and outcome of infection. Int J Obes. 2013;37:333–40 (2012).

(4) Fernandez C, Rysa J, Almgren P, Nilsson J, Engström G, Orho-Melander M, et al. Plasma levels of the proprotein convertase furin and incidence of diabetes and mortality. J Intern Med. 2018;284:377–87 (2014).

Ícones da imagem de capa: Freepik, Flaticon, The noum project

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