Do controle de pragas ao estudo de genes envolvidos na relação com milho

Por Dr. Daniel Prezotto Longatto – Engº Agrônomo e Lic. Ciências Agrárias – ESALQ/USP

 

Manter a produção de alimentos, fibras e biocombustíveis tem sido um desafio frente mudanças climáticas e ação de pragas que se alimentam das plantas e reduzem sua produção.

Além das técnicas convencionais, como as do melhoramento genético, uma das alternativas atuais mais promissoras tem sido inserir nas lavouras bactérias capazes de se desenvolver dentro das plantas, produzindo substâncias que melhoram o funcionamento e desenvolvimento delas para assim auxiliar na promoção do crescimento desses vegetais.

Coletada na Amazônia pela equipe do laboratório de Genética de Microrganismos João Lúcio de Azevedo da ESALQ, a bactéria Bacillus RZ2MS9 (imagem) tem sido estudada por diferentes pessoas sob orientação da profa Dra Maria Carolina Quecine Verdi e do prof Dr João Lúcio de Azevedo, do Departamento de Genética da ESALQ/USP, que observaram que a aplicação da bactéria contribuiu para melhorar o crescimento de plantas como o milho e a soja.

Imagem: à esquerda, Daniel Prezotto Longatto (1); à direita, bactéria Bacillus RZ2MS9 (2)

 

Na nossa tese de doutorado buscamos entender melhor como essa bactéria contribui para o crescimento vegetal. No primeiro ponto, nós fizemos testes em laboratório e verificamos que a bactéria RZ2MS9 foi capaz de matar pragas de diferentes culturas, como a broca da cana-de-açúcar e a lagarta do algodoeiro. Se a capacidade de matar insetos proporcionada pela bactéria no laboratório também for observada em testes futuros na estufa e em campo, pode ser que RZ2MS9 seja futuramente usada como controle biológico. 

No segundo ponto, separamos os genes da bactéria envolvidos na produção de proteínas direcionadas para fora da célula que estavam sendo ativados dentro da planta. Esses genes futuramente serão usados noutro estudo para verificar se eles são realmente importantes para a melhoria do crescimento das plantas, como o milho e a soja.

No terceiro e último ponto, observamos que na estufa a presença da bactéria aumentou a quantidade de clorofila (um pigmento essencial para a fotossíntese) nas folhas e estimulou a produção de maior quantidade de raízes. Além disso, vimos que a melhoria do crescimento vegetal feita pela bactéria estava associada a alguns genes (que estavam ativados ou desligados) que poderão contribuir para outros estudos para compreender a ação benéfica que algumas bactérias têm sobre as plantas. 

Por fim, agradecemos ao CNPq e à CAPES pelo auxílio financeiro e pelas bolsas concedidas, a nossa orientadora e a todos e todas que de diferentes formas contribuíram para a realização de nosso trabalho.

 

Referências:

      Link Tese Destaque 2019:  https://www.esalq.usp.br/pg/files/tese-destaque-daniel-prezotto-longatto

  1. Foto tirada por Gerard Waller
  2. Foto tirada por Daniel Prezotto Longatto

One Reply to “Como uma bactéria da Amazônia ajuda as plantas a produzirem mais?”

  1. Parabéns Daniel, excelente pesquisa e uma baita contribuição pro movimento do controle biológico. O futuro chegou, cabe a nós utilizá-lo da melhor forma possível e esses conhecimentos são essenciais nas tomadas de decisões.

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