Não é novidade que o desenvolvimento humano está causando sérios problemas ao meio ambiente. O aumento populacional e o desenvolvimento industrial vêm aumentando o volume de resíduos tóxicos e de difícil remoção da natureza.

Dentre esses resíduos podemos citar os metais pesados, que são uma das preocupações ambientais mais importantes, pois podem afetar diretamente a saúde de plantas e animais, incluindo os seres humanos. Atividades antrópicas, como mineração, fundição de metálicos, agricultura e indústria são responsáveis pela eliminação desses metais na natureza. Esses metais podem produzir efeitos nocivos à saúde humana quando absorvidos em grandes quantidades, causando danos cerebrais e renais, doenças do fígado, lesões nos ossos, câncer de pulmão, nariz e ossos, desconfortos e fraquezas, dores de cabeça, tonturas e problemas respiratórios.

Desta forma, novas e mais baratas ferramentas estão sendo estudadas na tentativa de diminuir os danos causados à saúde humana e, principalmente, ao meio ambiente. Uma dessas ferramentas é a Biorremediação, um processo que ocorre com o uso de organismos vivos, como bactérias, fungos ou algas, em ambientes contaminados, visando a remoção ou a diminuição de poluentes.

Este processo não é nada novo, ele é usado desde 600 a.C. pelos Romanos, que já faziam o uso de um sistema de esgoto onde o resíduo sanitário era conduzido até lagoas que continham microrganismos responsáveis pelo trabalho de biodegradação. Apesar de ser usada a muito tempo essa técnica, ela só passou a ser estudada por microbiologistas por volta do ano de 1940, sendo que seu uso comercial aconteceu pela primeira vez no final da década de 1960 por George M. Robinson, que utilizou bactérias isoladas em experiências caseiras para tratar um derramamento acidental de petróleo. Atualmente, os microrganismos são empregados na degradação de vários compostos como pesticidas, petróleo e seus derivados, corantes têxteis e metais pesados.

Fig2

Fonte: http://biorremediacaobyomega.blogspot.com.br/2011/11/etapas-do-processo.html

Em estudos realizados por cientistas chineses, foram testados setenta e seis fungos, previamente isolados de esgoto, lodo e efluentes industriais, contendo metais pesados, em relação à tolerância e remoção desses elementos. Seus resultados indicaram a remoção de uma quantidade substancial dos elementos chumbo, cádmio, crômio e níquel, o que mostrou o potencial biorremediador destes fungos na remoção desses xenobióticos a partir de águas residuais e de efluentes industriais.

Em um outro estudo realizado por um grupo também de cientistas chineses, o fungo do gênero Mucor sp.  isolado da planta  Brassica chinensis, cultivada em solo contaminado, foi avaliado para a aplicação na remoção de cádmio e chumbo do solo. Seus resultados mostraram que este fungo é potencialmente aplicável para a descontaminação do solo.

O sucesso dos microrganismos na degradação dos metais pesados está ligado a diversidade metabólica encontrada nos mesmos. Além disso, o uso de técnicas de biologia molecular tem contribuído com a produção de novas estirpes com características biorremediadoras mais potentes.

Exemplos como os citados acima, nos mostram que a biorremediação é uma ferramenta promissora com grande potencial biotecnológico, uma vez que este processo apresenta menor agressão ao ecossistema envolvido, podendo ser um meio de amenizar os danos causados pelos metais pesados à saúde humana e ao meio ambiente.

Por Tiago Tognolli de Almeida

tiagotognolli@hotmail.com

 

Referencias

Antizar-Ladislao, B.. Bioremediation: Working with Bacteria. Elements. v. 6, n. 6, p.389-394, 2010.

Deng, Z. et al. Characterization of Cd- and Pb-resistant fungal endophyte Mucor sp. CBRF59 isolated from rapes (Brassica chinensis) in a metal-contaminated soil. Journal Of Hazardous Materials, v. 185, n. 2-3, p.717-724, 2011.

Joshi, P. K. et al.  Bioremediation of Heavy Metals in Liquid Media Through Fungi Isolated from Contaminated Sources. Indian Journal Microbiology, v.51, n.4, p.482–487, 2011.

Russell, J. R. et al. Biodegradation of Polyester Polyurethane by Endophytic Fungi._Applied and Environmental Microbiology, v. 77, n. 17, p. 6076–6084. 2011.

Repo, E. et al.  Heavy metals adsorption by novel EDTA-modified chitosan–silica hybrid materials. Journal of Colloid and Interface Science. v.358, n.1, p. 261-267, 2011.

Urgun-Dermitas, M. et al. Use of genetically engineered microorganisms (GEMs) for the bioremediation of contaminants. Critical Reviews in Biotechnology. v. 26, p. 145-164. 2006.

4 Replies to “Biorremediação de Metais Pesados”

    1. Olá Vinicius!

      Que bom que gostou do texto! O autor é colaborador do Blog e é pós-graduando pela USP! Volte mais vezes, toda semana temos uma publicação diferente por aqui 🙂

      Equipe Ciência Informativa!

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