O assunto aquecimento global é sério e, infelizmente, cientistas trazem más notícias a seu respeito. Estudos mostram que a intensificação desse fenômeno tem ocorrido mais rápido do que esperavam e que desastres ambientais estão só começando e vão piorar nos próximos anos.

Neste semestre o Painel Intergovernamental sobre mudanças Climáticas” (IPCC) mostrou a necessidade de frear o aquecimento global para 1,5°C, ao invés de 2°C como determinado no acordo climático de Paris em 2015, apenas 3 anos atrás. Esse aquecimento extra vai expor grande quantidade de pessoas a situações de escassez de água, a aquecimentos extremos e a vetores de diversas doenças, como malária. Com as políticas existentes, há possibilidade de manter o aumento de 1,5 graus até 2030, mas não mais até 2040, como planejado anteriormente. Segundo o relatório do IPCC, três fatores acarretarão em um aquecimento global mais rápido e intenso nos próximos 20 anos: aumento das emissões de gases como dióxido de carbono, diminuição da poluição do ar (apesar de isso ser bom para nossa saúde, vários poluentes como aerossóis, incluindo sulfatos, nitratos e compostos orgânicos, refletem a luz solar e agem como escudo deixando o planeta mais resfriado) e ciclos climáticos naturais (como o aumento de temperatura do oceano Pacífico).

As consequências atuais do aquecimento global podem ser vistas e sentidas em vários lugares. No último mês, incêndios de longa duração resultantes da seca e de ondas de calores intensas devastaram regiões e causaram milhares de mortes na Califórnia/EUA. No Brasil, podemos observar tempestades cada vez mais intensas, que afetam cidades com inundações repentinas, enquanto que outras regiões atravessam longos períodos de seca.

Os polos também têm sofrido mudanças. O Ártico apresenta camadas de gelo mais finas do que nas últimas décadas devido a intensificação do aquecimento global. As temperaturas nessa região do globo têm aumentado duas vezes mais do que a média global e uma das consequências é a diminuição em 50% da população de renas desde a década de 1990. O leste da Antártida, o qual era considerado o lado mais estável deste continente, também está perdendo gelo mais rápido do que se imaginava: nos últimos anos, a geleira Totten, a maior geleira do leste da Antártida, tem aumentado a velocidade com que flui para o oceano, além disso, um estudo recente mostrou que outras geleiras que estão ao seu redor, como a geleira da Baía Vincennes, também tem acelerado seu curso para o oceano (Figura 1). Tanto a geleira Totten quanto a geleira da Baía Vincennes drenam uma enorme bacia enterrada que sustenta gelo suficiente para aumentar os níveis dos oceanos para 9 metros de altura. Cientistas têm combinado diferentes estudos para obter informações sobre essas geleiras, incluindo visão 3D para descobrir como a superfície das geleiras está se movendo de acordo com as variações de espessura provocadas pelo aumento da temperatura.

Figura 1. Derretimento de geleiras na Antártida.

 

Diante de tantas adversidades, é necessário desenvolver estudos para entender como o aquecimento global vai responder às mudanças de políticas ambientais, repensar nos objetivos governamentais e desenvolver estratégias de rápida adaptação às mudanças climáticas. Algumas medidas como proteger regiões contra enchentes e incêndios, estabelecer cuidados às florestas para aumentar a resiliência ao calor e preparar o litoral para inundações são fundamentais para diminuir as consequências do aquecimento global.

É interessante também lembrar de que não é a primeira vez que nosso planeta sofre com esse problema. Emissões excessivas de dióxido de carbono da atmosfera, rápido aquecimento global e diminuição da diversidade parecem assuntos comuns nos dias de hoje, mas também já aconteceram anteriormente, por motivos naturais, como há 252 milhões de anos, no período Permiano, o qual resultou na maior extinção de animais e plantas da história do planeta. Diferentes mecanismos para explicar essa extinção foram propostos e a maioria deles leva a atividades vulcânicas associadas com o fluxo de lava de regiões siberianas. A nossa armadilha siberiana atual é a queima de combustíveis fósseis, a qual deve ser controlada para não termos o mesmo resultado de antes e causarmos a extinção de tantas espécies, e possivelmente a nossa também.

Por Bianca Ribeiro

biancaribeiro0589@gmail.com

 

Referências:

[1] Five years of record warmth intensify Arctic’s transformation. https://www.nature.com/articles/d41586-018-07733-y

[2] East Antarctica is losing ice faster than anyone thought. https://www.nature.com/articles/d41586-018-07714-1

[3] Global warming will happen faster than we think.

https://www.nature.com/articles/d41586-018-07586-5

[4] Climate change and marine mass extinction. http://science.sciencemag.org/content/362/6419/1113

[5] Fonte figura principal:  https://tribunademinas.com.br/blogs/alice-amaral/14-09-2018/alimentos-perdem-qualidade-e-nutrientes-por-causa-do-aquecimento-global.html

[6] Fonte figura 1: http://www.antarctica.gov.au/news/2016/impact-of-east-antarctic-glacial-melt-on-sea-level-rise

 

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