Se você teve a oportunidade de assistir ao vídeo da norte-americana Candace Payne usando uma máscara do Chewbacca, que “viralizou” na internet algum tempo atrás, você provavelmente teve um ataque de riso! É quase impossível não esboçar ao menos um sorriso ao ver Candace gargalhando enquanto faz o grunhido de um dos personagens mais icônicos da série Star Wars. Se você ainda não viu, pause a leitura por enquanto e não se poupe desse momento de pura descontração: clique aqui e vá até o 2° minuto.

Por que será que quando vemos alguém rir começamos a rir também? Será que o riso é mesmo contagiante? Quer saber mais? Leia nosso texto dessa semana!

De acordo com a ciência, sim, o riso é realmente contagiante! E tudo acontece por causa do nosso cérebro. Quando ouvimos sons engraçados, como de uma risada, tendemos a rir também, mesmo sem saber por quê. Nosso cérebro tende a imitar os gestos e palavras das pessoas com que falamos e, ao que parece, isso também ocorre com as risadas. Esse é o motivo pelo qual algumas séries deixam propositalmente sons de risadas ao fundo de todas as cenas, como forma de estimular o riso dos espectadores.

A área do cérebro que é estimulada quando ouvimos sons é o córtex pré-motor. Nosso cérebro responde tanto aos sons agradáveis (como risadas) quanto aos desagradáveis (como o som de alguém vomitando ou chorando) mas, segundo pesquisas, os sons agradáveis estimulam com mais intensidade essa parte do cérebro.  A resposta que o córtex pré-motor dá após o estímulo sonoro é a movimentação dos músculos faciais, ou seja, nosso subconsciente controla diretamente nossa feição. Por causa desse contágio emocional, quando estamos com pessoas felizes também tendemos a nos mostrar felizes e vice-versa.
Além de ser contagiante e de elevar nosso astral, o riso também teve papel importante na evolução da comunicação humana. Algumas pesquisas sugerem que antes do desenvolvimento da linguagem falada, era através do sorriso que um grupo de humanos mostrava a outro grupo que era seu amigo e não seu inimigo.  As cócegas, por exemplo, indiretamente provocam gargalhadas e são uma forma de comunicação e afeto entre mães e seus bebês, entre amigos e familiares.

É claro que podemos controlar conscientemente um sorriso, porém, assim como o choro, é muito difícil fingir uma gargalhada por muito tempo, visto que a maior parte do controle é feita pelo nosso subconsciente. Mas o riso não aparece somente quando somos estimulados por algo engraçado ou pela gargalhada de alguém. Algumas vezes mostramos o que é chamado de riso inapropriado. Sabe aquela vez que você precisou dar uma notícia triste e sem querer esboçou uma risada? Pois bem, esse sorriso não foi insensibilidade, mas sim uma tentativa do seu cérebro de contornar essa situação tensa e lhe proteger de estresse. É por isso que algumas pessoas sentem vontade de rir mesmo quando estão nervosas e enfrentam uma situação angustiante, como em um velório ou em um hospital.

Agora que você sabe cientificamente a importância evolutiva de um sorriso e do seu poder de elevar nosso astral, não se esqueça de dar umas boas gargalhadas, afinal de contas “o riso é contagiante” e “rir é o melhor remédio”!
Até a próxima!

Por Nathália de Moraes
nathalia.esalq.bio@gmail.com

 

Referências:
[1] Moss, L. (2015). Why is laughter contagious? Disponível em http://www.mnn.com/lifestyle/arts-culture/stories/why-laughter-contagious. Acessado em junho de 2016.
[2] BBC Brasil. Cientistas dizem ter descoberto por que riso é contagioso. Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/ciencia/021022_risog.shtml . Acessado em: junho de 2016.
[3] Provine, R.R. (2004). Laughing, tickling, and the evolution of speech and self. Current Directions in Psychological Science, v. 13, n. 6, 215-218. Disponível em: http://cdp.sagepub.com/content/13/6/215.short . Acessado em: junho de 2016.
[4] Provine, R.R. (2006). Laugher among deaf signers. Journal of Deaf Studies and Deaf Education. v. 11, n. 4, 403-409. Disponível em: https://jdsde.oxfordjournals.org/content/11/4/403.full Acessado em: junho de 2016.
[5] Research Digest (The British Psychological Society). Why, when we’re distressed, do we sometimes smile? (2007). Disponível em: http://digest.bps.org.uk/2007/06/why-when-were-distressed-do-we.html Acessado em: junho de 2006.

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