Chegamos ao fim de setembro, e com isso termina o nosso mês temático sobre o Cerrado. No texto desta semana, iremos abordar um assunto que, apesar de relativamente comum, a população em geral não conhece muito sobre. Afinal, você já se perguntou qual a relação entre o Cerrado e o fogo? Posso garantir! O Cerrado é como conhecemos atualmente por conta do fogo. Vamos entender melhor nesse texto como essa relação funciona naturalmente, quais os efeitos da ação do homem nesse fenômeno e o que podemos fazer para atenuar os problemas gerados por essas ações. 

 

Você já deve ter visto em algum lugar que o Cerrado apresenta características que lhe conferem resistência e resiliência —respectivamente, capacidade de resistir e capacidade de rápida recuperação ao fogo. Pois, antes mesmo da ação do homem, o Cerrado já tinha um ciclo natural de queimadas com frequência bem definida. A queima natural pode ser iniciada por uma combinação diversos fatores, por exemplo, o tempo sem nuvens com pouca umidade no ar, a presença de combustível que pode ser vegetação ressecada e, por fim, faíscas que dão início à combustão, vindas das tempestades de raios que antecedem a estação chuvosa.

 

Dessa forma, o fogo é muito importante para várias formações vegetais do Cerrado (saiba mais sobre estas formações no texto as riquezas do Cerrado). Isso porque, após uma queimada natural, em poucas semanas o local é tomado por gramíneas oportunistas, estas são plantas que se beneficiam da pouca competitividade por espaço para dominar o local. Essas vegetação logo vai atraindo pequenos herbívoros e onívoros e, por fim, os carnívoros. Aos poucos a vegetação de grande porte vai se restabelecendo onde eram apenas cinzas e, dessa forma, o Cerrado retoma o seu eixo após o fogo.

  Figura 1. Rebrota da vegetação após passagem do fogo. 

 

 No entanto, a maior parte das queimadas no Brasil ocorrem por ação homem: cerca de 90% de acordo com ICMbio. Vale destacar que é chamado de incêndio florestal o fogo que ocorre descontroladamente em áreas de reserva e mata silvestre. Quando esse incêndio ocorre por ação do homem é crime. Além de ser caracterizado como infração, passível de multa, atear fogo em áreas agropastoris (pastagens e restos de colheitas) sem autorização do órgão fiscalizador ou na época da seca, que na região do Centro-oeste costuma ocorrer por volta de junho a setembro. 

 

Então para o Cerrado o problema não se trata do fogo em si, mas sim da frequência com que ocorre. O tempo entre um incêndio e outro não permite que o Cerrado se recupere como descrito anteriormente. O excesso de incêndios gera prejuízos tanto para a população quanto danos ao meio ambiente. A princípio podemos citar a grande quantidade de gás carbônico liberado para a atmosfera que contribui agravando o efeito estufa. Mas também há a fumaça resultante da queima, que contém diversos gases, como o monóxido de carbono (CO), que gera problemas respiratórios tanto para a população quanto para animais. Por consequência das áreas de vegetação estarem cada vez menores, muitos animais não conseguem escapar do fogo e acabam morrendo. Retirar a cobertura natural com fogo não é a melhor opção para limpar um campo pois empobrece o solo com o passar do tempo. 

 

Quando nos deparamos com um incêndio florestal é preciso comunicar aos bombeiros da região, já que eles possuem o protocolo de como lidar com o fogo da forma mais segura e eficiente. Lembrando que a prevenção ainda é o melhor remédio: por isso é importante não queimar lixo, abandonar fogueiras em brasa e jogar “bituca” de cigarro na mata. Pequenas atitudes podem evitar um problemão. Uma das melhores ferramentas que temos para gerar boas mudanças é o conhecimento.    

 

Por Maria Moura.

 

Referências:

 

DE SOUSA, Heitor Campos.Papel do fogo. Museu Virtual do Cerrado. Disponível em: www.mvc.unb.br/sobre-mvc/projetos/recursos. Acesso em: 14/09/2020

 

IBRAM – Instituto Brasília Ambiental. Incêndios Florestais Causas, Conseqüências e Como Evitar, Brasília (DF); 2009. Disponível em:www.ibram.df.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/Cartilha-Inc%C3%AAndios-Florestais-Causas-Consequ%C3%AAncias-e-Como-Evitar.pdf  

 

MARTIN, José Guilherme P. Fogo! Coisas de Cerrado, 2005. Disponível em: https://www2.ibb.unesp.br/departamentos/Educacao/Trabalhos/coisasdecerrado/OPROJETO/oprojeto.htm.  Acesso em: 14/09/2020 

 

MMA – Ministério do Meio Ambiente.Ser humano é o maior culpado pelo aumento de incêndios florestais,2014. Disponível em:mma.gov.br/informma/item/12310-noticia-acom-2014-08-433.html 

 

NASCIMENTO, Itaborai Velasco. Cerrado: o fogo como agente ecológico. Territorium, n. 8, p. 25-35, 2001.

 

Créditos de imagem: 

 

Foto da capa: ICMBIO, Efeito do fogo no Cerrado é tema de pesquisa em UC, 2018

 

Figura 1: Blog Florestal Brasil.com. O Cerrado a estação seca e o fogo: entenda essa relação, 2017. 

 

 

 

 

 

 

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