Frequentemente, quando se fala de bactérias, elas são representadas como as “vilãs” da história, ou seja, como causadoras de doenças em animais e plantas. É verdade que existem diversas espécies bacterianas causadoras de doenças, como é o caso da tuberculose, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, da meningite meningocócica, causada pela Neisseria mengitidis e também em plantas, como a galha-da-coroa, causada pela Agrobacterium tumefaciens, entre outros exemplos. Porém elas representam um número muito pequeno de espécies bacterianas; acredita-se que apenas 1% das bactérias seja capaz de causar algum tipo de doença.

A maior evidência de que as bactérias “vilãs” são exceção é vista no número de células bacterianas presente dentro do nosso organismo: cerca de 40 trilhões, considerando-se um organismo saudável. E o mesmo ocorre com as plantas, que têm um número estimado de 100 mil bactérias por grama de tecido vegetal!

Esses números demonstram o quão importante elas são para o crescimento e desenvolvimento de toda a vida terrestre, visto que não existem ambientes ou organismos nos quais elas não estejam presentes. Em nosso intestino, por exemplo, elas são as responsáveis pela síntese da vitamina K, que apresenta função extremamente importante para a coagulação sanguínea. Nas plantas, apresentam importante papel de “guardas ou protetoras”, ou seja, através da produção de toxinas, são capazes de impedir o ataque de micro-organismos patogênicos, insetos e até mesmo herbívoros.

As bactérias são, ainda, os únicos organismos encontrados em ambientes extremos, as chamadas extremófilas, ou seja, são capazes de sobreviver em locais de temperaturas muito elevadas ou muito baixas, ou locais extremamente ácidos ou com alta concentração de sal. Isso demonstra uma grande capacidade de adaptação do seu metabolismo para essas situações, reforçada a importância destes organismos para a origem e evolução da vida na terra. 

E você deve estar se perguntando como uma bactéria, um ser procarioto unicelular (constituído por uma única célula sem compartimentalização interna por membranas), consegue ser tão simples e tão complexa ao mesmo tempo. Apesar de serem seres unicelulares, elas não vivem só; formam colônias com milhares de outras, formando comunidades estruturadas como organismos, chamados de biofilmes, onde existe uma compartimentalização das funções, como ocorre em um organismo multicelular, sendo este um dos mecanismos que garante sua grande plasticidade.

Assim, apesar de aparentemente simples, as bactérias são mais complexas e fundamentais do que imaginamos!

Por Jaqueline Almeida

jaqueline.raquel.almeida@usp.br

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