Nestas últimas semanas falou-se muito sobre a liberação da fertilização in vitro utilizando o material genético de três pessoas: duas mulheres e um homem. O procedimento foi aprovado pelo Parlamento Britânico, no Reino Unido.

      Esta liberação vinha sendo discutida desde 2008 no país, que ainda têm muitas pessoas contrárias ao procedimento por temerem que esse seja o primeiro passo para a manipulação de características em clínicas de reprodução assistida. Por outro lado, a aprovação pode significar a salvação para mulheres que sofrem de doenças genéticas mitocondriais que sonham em ver seus filhos longe dos problemas que sofrem.

      As mitocôndrias são organelas presente no citoplasma de nossas células, que possuem DNA e que cuja função é fornecer energia para todo o nosso organismo. É ela a organela responsável por catalisar parte do processo que transforma o açúcar em energia utilizável para todas as reações e funções celulares. Por isso problemas ou defeitos no DNA desta organela podem acarretar problemas graves principalmente em órgãos que demandam muita energia, como é o caso do cérebro e coração, além de poderem induzir outros problemas como surdez, diabetes e epilepsia. 

Fonte: DNASolutions

 Nossas mitocôndrias têm origem exclusivamente materna, ao contrário do restante do nosso material genético que tem origem tanto materna quanto paterna. As mitocôndrias que possuímos são idênticas as que estavam presentes no óvulo no momento da fecundação, como pode ser visto na figura ao lado. Por isso, se a mulher possui problemas mitocondriais, estes com certeza estarão presentes também em seus filhos.

    Com a liberação do método de produção de embriões com duas mães, o procedimento seria a inserção do núcleo do óvulo da mãe que possui problemas, em um óvulo sem núcleo de uma mulher saudável e, posteriormente seria realizada a fertilização com o material genético do homem, dando então origem a um embrião. Este possuiria assim, apenas as mitocôndrias da mulher doadora, sendo constituído de mais de 99,8% do material genético dos pais e menos de 0,2% do material genético da doadora do óvulo. Desta forma, suas características físicas como cor dos olhos, tipo sanguíneo, altura, peso entre outros, não teria nenhuma influência genética da “doadora das mitocôndrias”.

    Este projeto ainda precisa ser votado na Câmara de Londres e, se aprovado, é possível que no próximo ano nasçam os primeiros bebes de três pais. E você é contra ou a favor deste tipo de fertilização? Compartilhe seu ponto de vista com gente!!

 

Jaqueline Almeida

Fale com a pesquisadora: jaqueline.raquel.almeida@usp.br

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