Amanhã comemoraremos um ano de lançamento do nosso blog de divulgação científica. Ao longo desse ano, trabalhamos bastante e aprendemos muito! Esperamos que vocês também tenham aprendido e que ciência seja um assunto mais interessante a cada dia. Para comemorar esta data, lançaremos nossa nova página criada pela nossa nova parceira, a Talq.

A matéria de hoje trata de um assunto muito importante para nós: “Os desafios de divulgar ciência”. Historicamente, cientistas já foram considerados como os “produtores de conhecimento” enquanto que o público leigo era apenas um conjunto de “consumidores” de informações. Essa relação já teve uma estrutura hierárquica muito forte, com uma certa noção de superioridade com relação aos cientistas. Esse tipo de relação dificulta muito o diálogo, pois distancia cientistas do público.


Felizmente, essa relação tem mudado para um modelo mais circular. Pesquisadores estudam e divulgam suas descobertas para o público que se apropria do conhecimento, podendo aplicá-lo e gerando demanda de novas pesquisas. Esse público pode ser composto, por exemplo, de políticos que estejam discutindo um projeto de lei; líderes de empresas e organizações que podem começar a usar uma nova tecnologia; crianças e adolescentes na escola; a população em geral que necessita de conhecimento sobre doenças ou nutrição; cientistas especializados em outras áreas e que podem ter interesse em trabalhos interdisciplinares; dentre diversas outras possibilidades [1].

Existem várias barreiras que dificultam a comunicação entre pesquisadores e público. Uma delas é o mito de que pesquisadores são pessoas especiais, mais inteligentes e detentores do conhecimento. Esse mito já levou cientistas a temerem divulgar ciência, porque se todos entendessem a pesquisa, esse status de superioridade poderia ser perdido. Outra barreira é o pensamento de que a ciências é uma coisa difícil, muito complicada para ser entendida e aplicada por quem não é cientistas.

Também existe a dificuldade que cientistas têm de se comunicar com quem não conhece os termos técnicos e o jargão da área de conhecimento. Desde o início da carreira científica, os estudantes são treinados para escrever de forma impessoal, em um formato rígido e nada familiar para o público em geral. Mudar a forma de se comunicar pode ser um grande desafio. Existe também uma pressão das universidades e agências que financial as pesquisas para que os pesquisadores publiquem em revistas de alto impacto científico, mas ainda há pouco reconhecimento do valor da divulgação. Isso tem mudado lentamente nos últimos anos, mas ainda temos muito a melhorar! Finalmente, há uma grande limitação de recursos humanos e financeiros tanto para capacitação de cientistas e jornalistas para divulgação de conteúdo científico, como para financiamento de projetos de divulgação.

Um dos maiores desafios em países em desenvolvimento ainda é fazer a ciência e a tecnologia serem partes essenciais para cultura da população [2]. O acesso ao conhecimento deveria ser visto por todos como sinônimo de desenvolvimento, bem estar e qualidade de vida. Existem diversos grupos espalhados pelo mundo fazendo divulgação científica de qualidade e torcemos para que isso continue aumentando. Nós, do Ciência Informativa, acreditamos que o acesso aos conhecimentos científicos e tecnológicos é um direito de todos e vamos continuar trabalhando para encurtar as distâncias entre pesquisadores e o público.

Se você é um pesquisador, por que não divulgar a “sua ciência” para todos? Se você acha que é muito difícil escrever, nós faremos de tudo para te ajudar!
Se você é um dos nossos queridos leitores, continue nos acompanhando e sugira temas que te interessem! A final, nosso objetivo é levar a informação até você!

Gostaríamos de agradecer profundamente a todos que têm nos acompanhado nesse nosso primeiro ano de muito aprendizado e também a todos que contribuíram com textos.

Confira amanhã quem serão os sortudos que receberão os micróbios gigantes de pelúcia!

Muito obrigada!
por Patricia Sanae Sujii
em nome da equipe Ciência Informativa

Referências
[1] Felt, U. (2000). Why should the public ‘understand’science? A historical perspective on aspects of the public understanding of science. Between Understanding and Trust: The Public, Science and Technology, London: Routledge.

[2] Martinez, E. (1999). Boosting public understanding of science and technology in developing countries. In World Conference on Science.

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