Os rompimentos das barragens em Mariana e Brumadinho ganharam atenção das grandes mídias e da população. Esses eventos geraram muita tristeza e indignação, mas também instigaram pessoas a buscar mais mais informações sobre como resolver os problemas. Provavelmente por isso, o nosso texto sobre Biorremediação foi o segundo mais acessado nesses nossos 5 anos. Se você ainda não leu, veja o link no fim desta matéria.

Essas regiões, assim como outras áreas de exploração de minério, têm a descontaminação do solo como um dos grandes problemas a serem solucionados. A exploração de minérios gera acúmulo de metais pesados e empobrecimento do solo. Com isso, poucas plantas têm a capacidade de reocupar essas áreas, o que dificulta tanto ações de reflorestamento como iniciativas de uso para agricultura.

 

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras e do Instituto Tecnológico Vale estão estudando uma alternativa econômica e sustentável para recuperar o solo de áreas de mineração. Eles fizeram os experimentos com o solo contaminado de uma área de mineração de zinco em Vazante (MG). Esse solo contém quantidades de metais pesados e outros contaminantes muito acima do limite indicado pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente).

Para descontaminar esse solo, eles testaram o uso de dois tipos de biocarvão, um feito a partir de lama de esgoto e outro a partir de madeira de eucalipto. Ambas as matérias primas estão disponíveis no município, o que aumenta mais mais a sustentabilidade do projeto.

O biocarvão foi enterrado em vasos com amostras do solo da área de mineração por quatro semanas. Após esse período, os pesquisadores mediram novamente a quantidade de metais pesados no solo e fizeram testes de crescimento de plantas. O solo tratado com os tipos de biocarvão continham menos metais pesados (cádmio, zinco e chumbo) e tiveram uma maior taxa de germinação de sementes e de crescimento de plantas comparado ao solo sem tratamento.

Então, eles concluíram que esses dois tipos de carvão podem ser usados para capturar metais pesados presentes no solo, para melhorar o pH e aumentar a quantidade de nutrientes. Esses resultados são bastante animadores e agora precisam ser testados nas próprias áreas de mineração.

 

Outro grupo, com pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, testaram outra abordagem. Eles investigaram a possibilidade de usar plantas nativas locais para melhorar a qualidade do solo contaminado. Esse grupo estudou uma antiga área de mineração, conhecida como Minas de Camaquã, desativadas desde 1996, no município de Caçapava do Sul (RS).

Eles estudaram o joá-bravo (Solanum viarum), já conhecida popularmente por suas propriedade medicinais. Os pesquisadores coletaram plantas de joá-bravo que cresceram naturalmente na antiga área de mineração e avaliaram seu potencial para descontaminar o solo. Eles observaram que essas plantas têm a capacidade de absorver e acumular metais pesados do solo como alumínio, cobre, zinco, chumbo, manganês e cromo. Além disso, elas conseguem germinar e crescer em ambientes contaminados com metais pesados e com baixa quantidade de nutrientes. Isso tudo torna essa espécie uma potencial biorremediadora que poderia ajudar a tornar antigas áreas de mineração férteis novamente. Isso também poderia ser usado em outras áreas contaminadas por metais pesados.

Ainda temos muito a descobrir sobre nossas espécies nativas e muita boa tecnologia para desenvolver. Este texto trouxe apenas dois exemplos de trabalhos que estão sendo realizados em instituições de pesquisa no Brasil, que podem ajudar a solucionar nossos problemas.

Continue acompanhando nossas matérias. Vamos sempre tentar explicar de jeito simples a ciência feita aqui e lá fora.

 

Leia mais sobre esse assunto nos links abaixo:

https://cienciainformativa.com.br/pt_BR/como-retirar-metais-pesados-do-solo/

https://cienciainformativa.com.br/pt_BR/biorremediacao-de-metais-pesados/

por Patricia Sujii

Referências

Penido, E. S., Martins, G. C., Mendes, T. B. M., Melo, L. C. A., do Rosário Guimarães, I., & Guilherme, L. R. G. (2019). Combining biochar and sewage sludge for immobilization of heavy metals in mining soils. Ecotoxicology and environmental safety, 172, 326-333.

Afonso, T. F., Demarco, C. F., Pieniz, S., Camargo, F. A., Quadro, M. S., & Andreazza, R. (2019). Potential of Solanum viarum Dunal in use for phytoremediation of heavy metals to mining areas, southern Brazil. Environmental Science and Pollution Research, 1-11.

Imagem de capa: Vlad Chețan

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.