A Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida – AIDS – ainda é uma doença que acomete muitas pessoas, muito embora existam inúmeros métodos para prevenir sua contração. Apesar dos esforços para que a população se previna e evite situações que elevam o risco de contrair AIDS, os números de casos continuam a crescer: só em 2016 foram 1,8 milhões de novas infecções no mundo todo; no Brasil há cerca de 830 mil pessoas convivendo com a AIDS.

Apesar do cenário preocupante, em setembro deste ano os cientistas conseguiram um feito inédito que pode mudar os rumos de como podemos “matar” o vírus HIV nas células humanas. Quer se atualizar sobre o assunto? Acompanhe nosso texto dessa semana!

Primeiramente vale relembrar que a AIDS é uma síndrome causada pelo HIV – Vírus da Imunodeficiência Humana – que reconhece e se instala dentro dos glóbulos brancos do sangue, responsáveis pela defesa do nosso corpo. Quando o vírus começa a se reproduzir dentro destas células, o HIV as destrói e, por isso, um dos sintomas mais comuns de pessoas infectadas é a debilitação do sistema imune, o que leva ao aparecimento de doenças oportunistas. Se você quer saber mais sobre a história da doença e como surgiu o HIV, leia nosso texto especial sobre esse assunto.

HIV

Como já vimos, os casos de AIDS crescem ano a ano e, como forma de conscientizar a população sobre a doença, em maio de 2017 foi aprovado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que institui o Dezembro Vermelho; um mês todo focado em instruir as pessoas para que elas se previnam da contaminação, façam testes capazes de diagnosticar a doença e, é claro, que parem de estigmatizar a AIDS e de perpetuar conceitos errados e preconceitos infundados. Além de prestar informações sobre a AIDS, o objetivo é também informar à população sobre outras doenças sexualmente transmissíveis.

Outra notícia boa é que em setembro deste ano um grupo de pesquisadores reportou um método de aniquilar o HIV de maneira que antes ninguém tinha conseguido. Sabemos que hoje muitas pessoas conseguem conviver com a AIDS pois tomam medicamentos que suprimem a replicação do vírus, ou seja, a multiplicação do HIV no corpo; porém, assim que o paciente para de tomar o medicamento, a quantidade de HIV no corpo tende a aumentar; logo, descobrir uma maneira de “matar” em definitivo o vírus é o objetivo de muitas pesquisas científicas.

A descoberta do grupo japonês é justamente neste aspecto: cientistas conseguiram sintetizar um composto (chamado L-HIPPO) que se liga a alguns receptores presentes no HIV e que o impossibilita de se multiplicar e sair da célula onde se instalou. Desta forma, a célula morre por apoptose e o vírus – que estava confinado – também. Essa nova abordagem permite que células infectadas sejam mortas, destruindo consigo o HIV e não apenas inativando-o, como os remédios fazem atualmente.

São notícias animadoras que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida daqueles que tem AIDS e, também, mostram o quanto a ciência é importante para o desenvolvimento de nossa sociedade. Apesar disso tudo, vale reforçar, o melhor ainda é a prevenção, pois não existe cura para AIDS. E se você gostou do texto de hoje, abaixo tem as referência que usei e o artigo com a descoberta que citei no texto.

Até a próxima!

Por Nathália de Moraes

nathalia.esalq.bio@gmail.com

Referências

[1] Nascimento, L. & Lourenço, I. (2017). Câmara aprova criação do Dezembro Vermelho para ações de combate à Aids. Acessado de http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2017-05/camara-aprova-criacao-do-dezembro-vermelho-para-acoes-de-combate-aids em outubro de 2017

[2] Veja. (2017). Aids: anticorpo é capaz de atacar até 99% do vírus HIV. Acessado de http://veja.abril.com.br/saude/aids-anticorpo-e-capaz-de-atacar-ate-99-do-virus-hiv/ em outubro de 2017

[3] Xu,  L. et al. (2017). Trispecific broadly neutralizing HIV antibodies mediate

potent SHIV protection in macaques. Science. 10.1126/science.aan8630 (2017).

[4] Baxter, R. (2017). New Breakthrough Could One Day Lead To AIDS Cure. Acessado de

http://www.iflscience.com/health-and-medicine/new-breakthrough-could-one-day-lead-to-aids-cure/ em outubro de 2017

[5] ScienceDaily. New approach for AIDS: Lock HIV in reservoir cells, to die through apoptosis. Acessado de https://www.sciencedaily.com/releases/2017/10/171002093415.htm em outubro de 2017

[6] UNAIDS. (2017). Estatísticas: resumo global da epidemia de AIDS. Acessado de http://unaids.org.br/estatisticas/ em outubro de 2017

[7] Imagem em destaque: http://newsfirst.lk/english/wp-content/uploads/2016/09/Health-Ministry-free-medicationHIVAIDS-patientsGlobal-Fund.jpg

[8] Fonte da imagem do texto: https://www.avert.org/sites/default/files/styles/article_scale_style_780/public/RS15_iStock-591414928-lpr.jpg?itok=WYbN3eq7&timestamp=1487086430

One Reply to “Dezembro vermelho: sobre a conscientização e as boas notícias para a cura da AIDS”

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