Quem de vocês vai à biblioteca para acessar informação? Você já parou para pensar qual o papel das bibliotecas na era da Internet, na qual todos que estão conectados têm acesso à informação de qualquer lugar a qualquer momento? O que as bibliotecas têm feito para inovar e atrair seus usuários?

Abordar o tema inovação, em especial o processo desenvolvimento de produtos e serviços de informação, exige uma reflexão acerca de quais são as características que definem inovação e como as bibliotecas utilizam as ferramentas voltadas para a inovação.

É notório que os serviços informacionais considerados “tradicionais” oferecidos pelas bibliotecas estão passando por significativas mudanças devido a vários fatores. A mudança no comportamento dos usuários em relação ao ambiente físico da biblioteca é um deles. O rápido avanço das tecnologias de informação é outro. Esses fatores possibilitam que os usuários acessem os serviços informacionais de uma biblioteca pelos seus dispositivos móveis de onde estiverem. Eles apenas precisam estar conectados à rede.

As perguntas que fazemos cada vez mais são: Por um lado, quais metodologias são cruciais para o sucesso do processo de inovação em diferentes contextos informacionais? Por outro lado, como as bibliotecas, um setor não valorizado no atual cenário econômico, vem trabalhando a inovação para manter os seus espaços ativos e vivos?

A abordagem proposta pelo Design Thinking vem sendo uma alternativa para que o processo de inovação ocorra nesses ambientes ajudando os bibliotecários a não fecharem suas portas.

Basicamente, o Design Thinking é uma ferramenta de inovação, uma abordagem predominantemente de gestão, que se vale de técnicas que os designers usam para resolver problemas antigos de uma forma inovadora, no qual o foco do processo é a colaboração, empatia e a criatividade. O Design Thinking vislumbra o total entendimento do desejo do usuário em relação ao uso de um serviço, para posteriormente analisar a viabilidade técnica e financeira desse “desejo”.

Alguns autores já trabalham o processo de inovação na questão dos serviços de informação no âmbito de diversas bibliotecas que vão desde as bibliotecas escolares às universitárias. Isso se justifica, pois estamos na era da informação, do conhecimento e da inovação. Nesse contexto, se faz fundamental olhar para a inovação dos serviços informacionais, onde as bibliotecas devem, além de se aprimorarem na prestação de produtos e serviços presenciais, focarem nos virtuais, por exemplo, para atender o novo perfil dos usuários digitais.

Assim se faz importante agir de acordo com esta nova era digital, que estabelece uma maior interação social, gera e compartilha conhecimento, assim como uma inteligência coletiva. Isso porque, com essa era digital, faz-se indispensável – e é muito bom para as bibliotecas – o uso das mídias e entretenimento dos seus serviços para chamar a atenção dos usuários e fazer destes espaços lugares mais atraentes, além de aportar conhecimento e cultura para a sociedade.

Desta forma, podemos ressaltar nessa nossa reflexão que a inovação é um processo no qual é importante levar em consideração não só as ideias e o conhecimento dos designers ou engenheiros que desenvolvem os produtos e serviços, mas também é relevante considerar as opiniões dos usuários, pois são eles que utilizarão esses produtos e serviços e ajudarão os profissionais a desenvolverem melhor seu trabalho, de forma que o resultado seja bem-sucedido e beneficie as duas partes: biblioteca e usuário.

Assim, a contribuição do Design Thinking para a inovação dos serviços das bibliotecas ainda deve ser muito explorada pelos pesquisadores da área da Ciência da Informação, mas inferimos que tem se tornado uma ferramenta poderosa no que tange a melhoria do processo de inovação e de enfoque estratégico nestas instituições, devolvendo para as mesmas um ambiente diferente e chamativo para o público em geral e também para a comunidade que está interessada em conhecer e consumir serviços informacionais inovadores.

 

Por Thais Batista Zaninelli

thais.zaninelli.uel@gmail.com

Profa. adjunta do Departamento de Ciência da Informação da Universidade Estadual de Londrina – UEL

Pós-Doutora em Ciência da Informação – UEL

Doutora em Engenharia Industrial e Gestão – Universidade do Porto, Portugal

Mestre em Gestão da Informação – Universidade do Porto, Portugal

Referências:

BROWN, T. Design thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Alta Books, 2017.

ISLAM, M. A.; AGARWAL, N. K.; IKEDA, M. How does knowledge management affect service innovation in academic libraries? : A survey study. ASIST, Saint Louis: [s. n.], p. 6-10, nov. 2015.

ZANINELLI, T. B. et al. Os nativos digitais e as bibliotecas universitárias: um paralelo entre o novo perfil do usuário e os produtos e serviços informacionais. Informação & Informação, Londrina, v. 21, n. 3, p. 149-184, set./dez. 2016.

 

Imagem de capa: Pixabay

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