No último mês assistimos, em tempo real, ao maior desastre ambiental do Brasil com o rompimento da barragem da empresa Samarco na cidade de Mariana (MG) que levou uma lama de rejeitos de minério de ferro para o Rio Doce e para a bacia hidrográfica que ele faz parte. Essa tragédia deixou muitas pessoas desabrigadas, várias cidades sem abastecimento de água e o Rio Doce foi sufocado pela lama. Vamos conhecer um pouco mais desse rio e a sua importância?

O Rio Doce é um rio da região Sudeste que banha os estados de Minas Geais e Espirito Santo. É um dos principais rios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Doce, com sua extensão de 853 km, da nascente na Serra da Mantiqueira à sua foz no Oceano Atlântico. O Rio Doce passa por diversos municípios, que dependem dele para o abastecimento de água, e entre seus principais afluentes estão o Rio Piracicaba, Rio Xopotó e mais 14 outros rios da região.

Rio-Doce
Imagem do Rio Doce antes do desastre ambiental de novembro.

 

A história desse rio se confunde com a colonização do nosso país. O primeiro relado da descoberta deste rio foi em 1501 de uma esquadra portuguesa que descia a costa brasileira em busca de riquezas e avistou, no litoral do Espirito Santo, um rio que desaguava no oceano. As suas margens eram composta por florestas densas de Mata Atlântica e serviam de lar para diversas tribos indígenas, que contribuíram para a demora da exploração das margens desse rio. Durante o Império, iniciou-se a exploração predatória dos recursos naturais das suas margens, como a extração de madeira e ouro. Posteriormente ocorreram a construção de estradas para transporte de minério de ferro do interior de Minas Gerais para o litoral.

Atualmente, as margens do rio são povoadas por diversas cidades e uma população de mais de três milhões de habitantes utilizam a água para o abastecimento, sendo que diversas comunidades ribeirinhas vivem da pesca como renda e alimentação. Além disso, as principais atividades próximas ao rio são a agropecuária, agroindústria, mineração e geração de energia elétrica, com mais de 3.600 indústrias em sua extensão.

Porém, não é só exploração que encontramos na margem dos rios. A Bacia Hidrográfica do Rio Doce abriga iniciativas de preservação, com diversas unidades de conservação com Parques Nacionais, Estaduais e Estações Biológicas, entre elas está o Parque Estadual do Rio Doce, com a maior área de floresta tropical de Minas Gerais e uma das poucas reservas remanescentes da Mata Atlântica do estado. Estas iniciativas são fundamentais para a conservação do ecossistema da Mata Atlântica na região sudeste do país.

Com o rompimento da barragem no início de novembro houve um grande desequilíbrio do habitat local e o Rio Doce foi o mais afetado. A partir de análises laboratoriais foram detectadas partículas de materiais pesados, como chumbo, alumínio, ferro, entre outros, nas águas do rio após o derramamento da lama, causando danos ambientais irreversíveis e o rio foi considerado morto, tamanho a alteração negativa do habitat.

Os especialistas presentes na área ainda não conseguem mensurar o tamanho da catástrofe e as consequências para a população e o ecossistema. Em Mariana, a cidade mais afetada, muitas pessoas ainda estão desabrigadas e ainda há pessoas desaparecidas. Outras cidades nas margens do rio estão enfrentando falta de abastecimento de água e as comunidades ribeirinhas estão sem sua principal fonte de sustento, a pesca. Para o ecossistema, os ambientalistas ainda não conseguem dizer ao certo, mas não destacam a possibilidade de espécies endêmicas inteiras terem sido soterradas pela lama. A mortalidade de peixes na região assusta, já foram constatadas 10 espécies de peixes extintas no Rio Doce e nos seus afluentes. Fora os peixes, outras espécies também foram afetadas, como patos selvagens, lontras, garças e capivaras.

O Rio Doce tem uma lanço muito importante com a sua população e seu ecossistema. O desastre atual vai ser sentido por várias gerações e ainda não se sabe se é possível que o ambiente volte a ser como era antes do desastre. A empresa Samarco e o governo se comprometeram a investir em iniciativas para dar auxilio a população e recuperar o ecossistema. A nós, resta cobrar as autoridades soluções para os problemas para que, quem sabe, o nosso Rio Doce volte a ser doce.

Leitura complementar:

http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/22/interna_gerais,710407/retomada-do-equilibrio-do-ecossistema-no-rio-doce-levara-anos-ou-ate-d.shtml

Referências bibliográficas:

http://www.abes-mg.org.br/visualizacao-de-clippings/pt-br/ler/2082/os-rios-mais-poluidos-do-brasil

http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2015/11/e-oficial-o-rio-doce-esta-completamente-morto.html

http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgRjUAE/historia-rio-doce

http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2014/10/especiais/expedicao_rio_doce/1498994-rio-doce-conheca-a-historia-do-maior-rio-que-corta-o-espirito-santo.html

http://noticias.terra.com.br/brasil/o-que-pode-ser-feito-para-salvar-o-rio-doce,498eac20e1b83644393e731ec148f175fh0qo2b3.html

http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2015/11/noticias/cidades/3913966-alerta-no-estado-para-enchente-no-rio-doce.html

 

5 Replies to “Conhecendo o Rio Doce: História e Importância”

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