Setembro é o mês que marca a chegada da primavera, a tão conhecida estação das flores, aqui no hemisfério sul. O nome primavera vem do latim e quer dizer primeiro verão, já que é a estação que o antecede e tem algumas características semelhantes. No dia em que se inicia a primavera ocorre o fenômeno astronômico chamado equinócio e o dia e a noite têm aproximadamente 12 horas de duração. (equinócio significa, de maneira bem simplificada, que os raios solares atingem nosso planeta de maneira que tanto hemisfério sul quanto hemisfério norte recebem praticamente a mesma insolação (lembre-se que o eixo do nosso planeta é levemente inclinado). A chegada da primavera traz um clima mais ameno, com um aumento na insolação e nas temperaturas médias quando comparadas ao inverno.

Para lidar, ou melhor, responder a essas mudanças ambientais (temperatura, luz solar, pluviosidade) em cada estação, as plantas e animais detém uma série de transformações fisiológicas, morfológicas e comportamentais, tais como migração (figura 1), hibernação, florescimento, queda de folhas, etc. Essas alterações foram moldadas ao longo de milhões de anos de evolução e trazem vantagens. (pense, por exemplo, na migração: quando os animais migram de um lugar frio para um lugar quente eles estão indo em direção a fontes de alimentos que não existem ou são escassas no lugar de onde estão migrando).

Porém, as mudanças climáticas globais impulsionadas pelo aquecimento global, têm provocado uma verdadeira bagunça nessas respostas aos estímulos ambientais. Apenas como exemplo, já que teremos textos sobre isso, alguns estudos científicos mostram que um aumento na temperatura média pode provocar diminuição na produção de néctar em espécies de plantas que habitam a região do mediterrâneo, o que, por consequência, levaria a uma perturbação na interação flor X polinizador, trazendo inúmeros prejuízos, como na própria existência das espécies.

Figura 1: migração das aves.

Vale reforçar que as mudanças climáticas globais não se resumem apenas ao aumento da temperatura. (segundo o mais novo relatório divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), formado por cientistas de todo o mundo, as mudanças podem ser mais catastróficas em alguns lugares do que em outros, mas de qualquer maneira são inquestionáveis e irreversíveis.) Secas intensas, mudanças no padrão de chuva, furacões mais frequentes, aumento no nível do mar, diminuição das calotas polares, acidificação dos oceanos: tudo isso cada vez mais frequente.

A partir da semana que vem veremos exemplos de como essas mudanças climáticas estão afetando o padrão de hibernação, de migração, de florescimento, de crescimento, dentre outros, nas plantas e animais e como isso afeta o equilíbrio entre as espécies. Não perca!

Por Nathália de Moraes

nathalia.esalq.bio@gmail.com

Referências

[1] https://etimologia.com/primavera/

[2] https://apod.nasa.gov/apod/ap100923.html

[3] https://www.innovakglobal.com/mudancas-climaticas-e-suas-repercussoes-na-producao-de-frutiferas-de-clima-temperado/?lang=pt-br

[4] https://cetesb.sp.gov.br/proclima/wp-content/uploads/sites/36/2014/05/nobre_reid_veiga_fundamentos_2012.pdf

[5] https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpls.2018.00874/full

[6] https://climate.nasa.gov/effects/

[7] https://news.un.org/pt/story/2021/08/1759272

[8] Fonte da figura 1: https://www.dw.com/en/global-ideas-migratory-birds/a-18432495

[9] Fonte da imagem em destaque: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Spring_with_Flowers.jpg

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