O famoso navio Titanic, que naufragou em 1912, foi descoberto em 1985 quando se apresentava muito preservado devido às características do local onde naufragou. Ele se encontrar a 3,8 km de profundidade, sob alta pressão e pouca luz, características estas inabitáveis a maioria dos organismos vivos.

Porém, recentes visitas de pesquisadores ao local revelaram que o navio está enferrujando, sendo estimado que em 14 anos ele possa desaparecer completamente. Pesquisas revelaram que a causa da ferrugem no navio é causada por uma bactéria capaz de obter energia de metal.

Essa bactéria, capaz de sobreviver em águas escuras e sob forte pressão atmosférica, recebeu o nome de Halomonas titanicae, em homenagem ao navio. O gênero Halomonas é um grupo extremófilo, ou seja, capaz de sobreviver em condições extremas, sendo capaz de sobreviver em águas com grande concentração e variação de salinidade, sendo frequentemente encontrada em pântanos de sal.

A bactéria Halomonas titanicae forma como estruturas que se assemelham a gotas sobre o navio, os chamados rusticles, que podem ser observados na imagem abaixo. E como ela se alimenta do metal do navio, há aumento no processo corrosivo do navio.

Figura – Imagem dos rusticles que a bactéria Halomonas titanicae forma sobre o navio Titanic.
Figura – Imagem dos rusticles que a bactéria Halomonas titanicae forma sobre o navio Titanic.

 

Mas nem todas as bactérias capazes de colonizar navios no fundo de oceanos necessariamente o destroem, pelo contrário, existem espécies bacterianas que formam uma camada de células sobre os navios (os chamados biofilmes), formando uma proteção entre o navio e a água do mar, protegendo-o assim da corrosão acelerada que a água salgada poderia causar. Inclusive, esta é uma das formas de proteção que permite que navios naufragados no século 14 ainda sejam encontrados.

De qualquer forma, embora exista a proteção de bactérias, todos os navios mais cedo ou mais tarde desaparecerão por completo, seja pela ação de bactérias ou pela água do mar, alimentando assim o ciclo de reciclagem de nutrientes.

 

Referências

Jasmin Fox-Skelly, 10 March 2017. Disponível em: http://www.bbc.com/earth/story/20170310-the-wreck-of-the-titanic-is-being-eaten-and-may-soon-vanish

https://microbewiki.kenyon.edu/index.php/Halomonas_titanicae

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