Há alguns milênios, os romanos concluíram que Roma era pequena demais e saíram conquistando os territórios vizinhos. Nisso eles levaram a língua romana da Romênia até Portugal.

Um dia o Império Romano ruiu e as pessoas que falavam latim ficaram isoladas, falando o que chamamos de “latim vulgar”. Assim como uma mesma espécie de seres vivos tende a se diferenciar quando colocada em duas regiões diferentes, as línguas foram se diferenciando de um tanto que um romeno e um português jamais diriam que falam a mesma língua – apesar de ainda ser possível ver alguma semelhança.

Adaptado de Alikre e Rosen (2010, p. 10-11)

Em alguns casos, a mudança é mínima, como na palavra “amiga”. Às vezes, dá para notar que as vogais mudaram de maneira regular, como em “novo” e “fogo”. E, com alguma regularidade, dá para notar que onde temos “g” entre vogais em português e espanhol, os franceses passaram a guilhotina no som.

Mas, por que então não dizemos que falamos latim?

As línguas mudam, mas gradualmente, ao longo de séculos e séculos, até chegar num ponto em que se tornam distintas – a língua só ficou tão diferente que as pessoas não achavam mais que se tratasse do latim. Da mesma maneira, um ateniense de hoje não entenderia Platão. Não é igual.

Uma coisa importante a ser frisada é que a língua portuguesa, como é bastante comum, teve influência de outras línguas. Os árabes, para citar um exemplo, ocuparam a península ibérica por bastante tempo, e algumas das palavras comuns do dia-a-dia vieram deles (em geral começando com “al” ou “a”, como “álcool” e “açúcar”). Ainda assim, a língua árabe não chegou a modificar o português de maneira a alterar a gramática ou substituir a maioria das palavras de origem latina.

Hora de fazer as contas. Até aqui, sabemos que a língua portuguesa tem, como parente, todos os descendentes do latim (do qual ela também descende). São, até agora, 43 línguas parentes da família românica (nem todas vivas, diga-se de passagem, algumas delas já foram extintas). Delas, as duas línguas com mais falantes nativos são o espanhol e o português, com mais de meio bilhão de falantes juntas.

Esse é o primeiro artigo de uma trilogia sobre a história do português. Acompanhe as próximas atualizações para saber como a história da língua portuguesa começa!

por Marcus Tanaka de Lira

Obra citada:

ALKIRE, T; ROSEN, C. Romance Languages: a Historical Introduction. Cambridge: Cambridge University Press, 2010.

 

 

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