Aproximadamente há 33 mil anos cães se separam de seus parentes lobos e começaram a ser domesticados. Consequentemente, a comparação entre essas duas espécies permite entender como humanos influenciaram nas modificações de características que cães costumavam apresentar.

Em um estudo publicado nesse mês, cientistas descobriram que cachorros, diferentemente de seus primos lobos, desenvolveram dois músculos faciais que melhoraram a comunicação com seres humanos. Esses músculos são responsáveis por aquela irresistível cara de “me adote” (foto abaixo), que os cachorros apresentam quando levantam suas sobrancelhas. Esses músculos são capazes de ampliar e abrir os olhos dos cães, fazendo com que pareçam maiores, profundos e bonitinhos.

Fonte: Vet Quality

Um estudo de 2017 mostrou ainda que cães movem mais os olhos quando humanos estão prestando atenção neles, sugerindo que essa reação poderia ser voluntária. Nós somos capazes de responder mais positivamente quando cachorros usam os músculos da sobrancelha e ambas espécies se beneficiam desse momento, já que apresentam o desencadeamento de uma maior produção de ocitocina, conhecida como hormônio do amor, importante no estabelecimento da conexão entre pessoas e, como vimos, também entre ser humano e cachorro.

A seleção natural tem papel fundamental na manutenção dessas características ao longo do tempo. Os seres humanos tendem a preferir cachorros mais amigáveis, que apresentam grande movimentação desses músculos faciais. Logo, os cães que apresentavam essas características foram adotados por humanos, conseguiram se reproduzir e passar o código genético (DNA) adiante.

Mais estudos estão sendo realizados para entender como a domesticação de cães aconteceu. Consequentemente, além de obtermos informações sobre a evolução dos cães, seremos capazes de descobrir mais sobre nós mesmos.

Por Bianca Ribeiro

biancaribeiro0589@gmail.com

 

Referências:

Juliane Kaminski, Bridget M. Waller, Rui Diogo, Adam Hartstone-Rose, and Anne M. Burrows. Evolution of facial muscle anatomy in dogs. PNAS (2019).

J. Kaminski, J. Hynds, P. Morris, B. M. Waller. Human attention affects facial expressions in domestic dogs. Sci. Rep. 7, 12914 (2017).

Imagem em destaque: Leiden University

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