O câncer, doença responsável por causar uma entre seis mortes no mundo, ocasionou a morte de 8,8 milhões de pessoas em 2017, de acordo com a organização mundial da saúde (OMS). A melhor maneira de controlar o número de mortes devido à essa doença é através de ações preventivas, aumentando assim o número de diagnósticos precoces e, consequentemente, as chances de cura.

É dentro do contexto de ação preventiva que diversos grupos de pesquisa do mundo buscam alternativas tanto para inibir o crescimento das células cancerígenas, quanto para auxiliar o organismo no reconhecimento das mesmas. Uma alternativa está sendo testada aqui no Brasil e consiste na utilização de vacinas contra o câncer, na fase de testes em camundongo mostrou-se promissora!

A vacina que está sendo testada sob a coordenação de Marcio Chaim Bajgelman, no Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), em Campinas, e tem como objetivo atuar como um estimulante do sistema imune, fazendo com que o sistema imune se torne mais eficiente na detecção e no controle das células cancerígenas.

A vacina desenvolvida possui a combinação de diferentes linhagens de células tumorais geneticamente modificadas. Elas são células vivas e capazes de secretar citocina, um fator de estimulação de proliferação e maturação de células de defesa, sendo assim considerada um imunomodulador.

O grupo do pesquisador Bajgelman testou diferentes combinações dessas células tumorais modificadas e obteve como resultado o total controle de crescimento de diferentes tumores. Além disso, o grupo estipula a possível ação duradoura desse tratamento, impedindo assim a reincidência da doença.

A principal ação da vacina é fazer com que as células de defesa do nosso corpo – os linfócitos T – sejam capazes de perceber a proliferação das células tumorais e passem a combatê-las. Um grande problema no combate às células cancerígenas são os linfócitos conhecidos como Treg (célula T regulatória) e que são os responsáveis por manter o sistema imune em equilíbrio. Justamente por evitar a grande proliferação de linfócitos T, muitas vezes dificultam a identificação do tumor.

O desenvolvimento de uma vacina para estimular o sistema imune de maneira eficiente e direcionada, é o objetivo de diferentes grupos de pesquisadores no mundo. Essa busca vem apresentando resultados cada mais promissores e, quem sabe em um futuro próximo, tornem-se uma alternativa mais eficiente e menos onerosa de tratamento a diferentes tipos de cânceres.

Por Jaqueline R. de Almeida

jackalmeidajau@hotmail.com

Referências

Toledo, K. 2018. Nova estratégia para vacina contra o câncer é testada com sucesso. Agência Fapesp. Disponível em: http://agencia.fapesp.br/nova_estrategia_para_vacina_contra_o_cancer_e_testada_com_sucesso/27452/

Manrique-Rincon, A.J.; Beraldo, C.M.; Toscaro, J.M.; Bajgelman, M.C. 2017. Exploring Synergy in Combinations of Tumor-Derived Vaccines That Harbor 4-1BBL, OX40L, and GM-CSF. Frontiers in immunology, v. 8.

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